Soilwork ainda mais seguro de suas convicções sonoras em Verkligheten

Soilwork – Verkligheten (2019)

Por Gabriel Sacramento

Assim como o In Flames, o Soilwork também passou parte da carreira se dedicando a uma espécie de “metalcore sueco”: um som que abria mão de muitas das características originais do death metal melódico, gênero que revelou ambas as bandas e que nunca foi muito comercial. Mas depois de algumas mudanças de line-up, a banda está de volta ao death metal e às melodias menos acessíveis e tem conseguido resultados plenamente consistentes.

A banda perdeu Peter Wichers, uma das grandes mentes que ajudaram a desenvolver o som no início, mas o efeito foi pouco sentido. The Ride Majestic (2015) é um grande álbum e mantém bem a base do que a banda vinha fazendo: melodias, riffs potentes, momentos bem agressivos e explosivos e um clima mais sombrio. O som está mais maduro, e as estruturas de arranjos estão bem mais elaboradas e menos previsíveis.

Verkligheten segue com as mesmas características positivas. O disco foi produzido por Thomas Johansson, uma parceria nova, e é o primeiro com a presença de Bastian Thusgaard no kit de bateria, substituindo o ótimo Dirk Verbeuren, que foi tocar no Megadeth. Johansson consegue um resultado satisfatório ao trabalhar bem os riffs e as transições entre acústico e pesado, algo que é típico do gênero sueco.

As combinações de instrumental e vocal são pouco óbvias, e isso é outro ponto positivo. Na sua fase mais metalcore, o Soilwork soava um tanto previsível com suas estruturas prontas: versos gritados, com riffs mais pesados e refrãos mais leves, com progressões harmônicas diretas. O novo disco brinca com isso e explora diferentes lógicas e estruturas mais complexas. Em alguns momentos, o baterista inclusive insere uns blast beats enquanto Bjorn Strid, vocal, canta algo bem suave, por exemplo.

Johansson também extrai ótimas melodias e bons contrapontos melódicos entre guitarras e o vocal. Essa característica é muito bem dosada e equilibrada com o peso e agressividade. Mesmo que não seja algo novo da banda, a abordagem cuidadosa impressiona, pois garante que esses elementos dos arranjos surjam muito bem colocados, com uma importância semântica muito grande.

O novato Bastian Thursgaard aborda bem a bateria, com muita criatividade e um bom senso de inquietude, embora caia na mesmice ao usar os mesmos padrões de bumbo duplo em diversas seções. É interessante como o músico referencia bem o antigo membro com o uso intenso de blast beats nos contextos que o Dirk gostava de usar, e isso coopera para que o disco soe bem familiar, apesar de tudo. 

No final, Verkligheten acaba pecando um pouco pelo excesso de faixas: se tivesse umas duas a menos, fecharia muito melhor. O problema não é necessariamente o número do tracklist, mas o fato de que com o passar do tempo, eles já não têm muito o que dizer que ainda não foi dito, e o álbum acaba se repetindo. Mesmo assim, o disco novo proporciona uma boa experiência e contribui para a solidez da discografia do grupo sueco e para o sucesso dessa guinada deles para algo mais próprio e único.

Gabriel Sacramento Autor

Programador, leitor assíduo e viciado em música de todos os tipos. Acredita que se há uma esperança para este mundo maluco e caótico, ela pode ser colocada na forma de melodias gentis, harmonias eficazes e um ritmo marcante. https://twitter.com/gabrielsacr https://medium.com/@gabrielsacramento

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