Os erros e acertos do Smashing Pumpkins no novo disco

The Smashing Pumpkins – Shiny and Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun. (2018)

Por Gabriel Sacramento

Seguindo a saga das bandas noventistas tentando prosseguir relevantes em nossos dias, chegou a vez do Smashing Pumpkins. Depois de vários rumores e a notícia de que estavam gravando com o grande Rick Rubin, a banda está de volta para mostrar o que aprendeu nesses últimos anos. Até agora, as bandas noventistas têm se dado bem, será que o mesmo pode ser dito da turma do Billy Corgan?

A banda começou nos anos 90 como um grupo perfeccionista, surfando na onda do grunge. Lançaram o primeiro disco em um ano-chave para o subgênero, 1991, ano de Nevermind, Ten e Badmotorfinger. Contudo, depois adquiriram uma faceta mais profunda e diversa, embarcando em superproduções difíceis, e quase conceituais, como Mellon Collie and the Infinite Sadness (1995). Misturando diversas vertentes do rock da época, os Pumpkins viraram uma referência para o que era considerado alternativo na cena americana.

Agora, vamos entender esse novo álbum. Primeiramente: Rick Rubin. O produtor incansável, dono de um currículo sensacional, responsável por alavancar carreiras e por estar lá no começo do hip-hop, chegou a produzir o Pumpkins em 98. Trabalhou numa faixa que acabou não entrando para o disco que liberaram naquele ano, Adore. O motivo? Era pop demais.

Talvez seja justamente por isso que Corgan procurou Rubin desta vez. Digo isso porque ouvindo Shiny and Oh So Bright, Vol. 1, um dos destaques é justamente o potencial pop das canções. Billy — que já tinha deixado suas imperfeições à mostra em Ogilala, disco solo de 2017 — canta sem medo e passeia por melodias cativantes e ganchos repetitivos, enquanto Rubin formata as bases para serem secas e simples, além de pouco dinâmicas. A sensação é que o vocal está sempre guiando o fluxo da composição, enquanto a instrumentação serve como um norte que muda pouco, fortalecendo o senso de harmonia.

Dito isso, as canções são boas, mas nenhuma é tão boa quanto a fase de ouro do Pumpkins. Gostei bastante de “Solara”, uma faixa que ostenta guitarras abafadas, uma performance soberba de Jimmy Chamberlin e a voz aguda esquisita do Corgan. Mas reconheço que a faixa parece meio perdida no contexto do rock em 2018, quase como se fosse datada. É uma grande canção, a melhor do álbum, mas não será devidamente reconhecida por conta desse aspecto.

Rubin veste as canções com sua característica típica: secura instrumental e falta de efeitos e overdubs. Como sempre, ele consegue, com isso, extrair uma sonoridade ainda mais crua da banda, como em “Solara”, que apresenta para o ouvinte a versão explícita e sem cortes do que rolou no estúdio. Mesmo que as canções mais pesadas sejam diretamente afetadas pelo rubin-style, as baladas não soam tão diferentes do que soariam com qualquer outro produtor.

Em alguns momentos, como em “Alienation”, o potencial pop do disco sobra bastante. A banda acaba girando em torno de si mesma, sem saber bem para onde ir e o que dizer. No final, Vol. 1 anuncia o início de uma série de álbuns, que não sabemos como vai soar, definitivamente. Se a parte pop do disco é como um monte de tiozões tentando soar cool com tênis all-stars e pulseirinhas legais, a parte mais robusta vive somente dos anos 90. E para o ouvinte, fica uma grande sinal de interrogação com relação ao que vem por aí.

 

 

 

Gabriel Sacramento Autor

Programador, leitor assíduo e viciado em música de todos os tipos. Acredita que se há uma esperança para este mundo maluco e caótico, ela pode ser colocada na forma de melodias gentis, harmonias eficazes e um ritmo marcante. https://twitter.com/gabrielsacr https://medium.com/@gabrielsacramento

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