Os 20 melhores discos de 2018

Hora da lista com os melhores discos resenhados pelo Escuta Essa Review

2018 foi um ano de grandes mudanças para o Escuta Essa Review. Logo no começo do ano, mudamos de domínio e de hospedagem, bem como de layout, porque desejávamos uma experiência de acesso um pouco mais organizada para vocês, leitores. Também tivemos algumas mudanças na equipe do site, com saídas de alguns membros. Por conta disso, demos uma parada nos podcasts também. Mas seguimos firmes escrevendo e mapeando a música mundial do jeito diferenciado que vínhamos fazendo desde 2013.

Também foi um baita ano para a música: diversos lançamentos de qualidade de diversos estilos diferentes, o que, como você já deve saber, nos agrada bastante. Por isso, é hora do balanço musical do ano com os discos que destacaram.

Primeiramente, os critérios utilizados para a classificação são: consistência musical, isto é, se o álbum se sustenta como um todo; boa produção (o que inclui arranjos, mixagem, execução e pós-produção), bom repertório e conceito bem definido; se possui alguma relevância para além da música; e se o álbum continua pungente depois de várias audições e depois de meses.

Quanto aos critérios de classificação, são os mesmos que você já conhece se vem acompanhando nosso trabalho desde 2013. Não colocamos discos em ordem de importância, porque não julgamos interessante avaliar dessa forma (ou seja, o 20º não é necessariamente pior que o 15º). No entanto, isso não se aplica à primeira posição: ela significa que aquele disco foi melhor que todos os outros em nossa opinião.

Como nos anos anteriores, só entraram para a lista os discos que foram apresentados aqui de alguma forma: podcast, crítica em texto ou colunas. O período para o fechamento da lista foi o começo de Dezembro, portanto, discos lançados depois não puderam concorrer. Ademais, discos internacionais estão misturados com nacionais: não acreditamos que o que é produzido aqui é de alguma maneira inferior.

Ufa! Chega de conversa! Vamos aos escolhidos da nossa lista. 

20. Melody’s Echo Chamber – Bon Voyage

O primeiro ponto de virada da faixa de abertura, “Cross My Heart”, já deixa claro que Melody Prochet está mais focada na world music e na exploração de diversas linguagens distintas do que somente no pop psicodélico do primeiro disco. Tudo é feito com extrema competência, em um passeio por várias referências e um exercício de imaginação musical para além da noção comum de estruturas e arranjos. Um disco multicultural desse em ano de copa caiu muito bem.

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19. The Nude Party – The Nude Party

O debut do The Nude Party foi o disco mais divertido do ano. Ouvir esse álbum é como se livrar de amarras e obrigações para focar no entretenimento fugaz que um bom rock pode proporcionar. Para isso, a banda tenta emular a atmosfera sonora dos anos 60, época em que os Stones gravavam com festinhas no estúdio, fazendo jus ao lema “sexo, drogas e rock and roll”. Se quiser algo para te fazer sorrir um pouco diante dos problemas da vida, considere esse álbum.

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18. Anderson East – Encore

East lançou seu segundo álbum em que tenta resgatar elementos do soul de antigamente. No entanto, mesmo que essa tentativa de investir na música do passada esteja batida, gerando um gênero saturado, esse jovem artista conseguiu manter o seu disco perfeitamente emocionante do início ao fim do ano. Mesmo com a estética voltada para a música de décadas atrás, as ótimas baladas soam bem adequadas à modernidade, com interpretações fabulosas que as engrandecem.

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17. Miles Kane – Coup De Grace

Nesse disco, seu terceiro e melhor até agora, Miles Kane consegue impor uma personalidade mais madura e mais velha, com vocais mais graves e interpretações mais seguras, mas, ao mesmo tempo, a agressividade jovial e urgente que marcou seus outros lançamentos. É tudo muito honesto, e a energia do disco é contagiante. Sem contar que ele demonstra que sabe passear por diversas formas de indie rock com muita classe.

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16. Blood Orange – Negro Swan

Quantos discos você ouviu esse ano em que o músico utiliza uma guitarra desafinada no meio da harmonia e faz isso funcionar? Pois é, de todos os que ouvi, esse foi o único em que até mesmo uma regra básica de execução é subvertida para o bem do conceito. Dev Hynes rejeita padrões e impõe uma espécie de experimentalismo à sua maneira que nos deixa estarrecidos e nos faz questionar a necessidade de regras rígidas na hora de expressar os sentimentos por meio da música. Um desses discos difíceis de superar.

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15. Jungle – For Ever

For Ever é a prova de que o conceito sônico que embasa o Jungle é sólido e plenamente convincente. A banda aposta na mesma produção que exalta os mesmos elementos que o disco anterior, no entanto, tudo soa fresco, como algo que acabou de ser inventado para ser ouvido. Um conjunto de canções R&B e neo soul deliciosas, apoiadas por uma das melhores mixagens do ano. Ouça já.

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14. Baco Exu do Blues – Bluesman

Mantendo sua veia insurgente, o rapper baiano Baco Exu do Blues surge com um disco que estuda o blues, sem ser de blues. Se isso incomodou alguns ouvintes, chamou a atenção de centenas de outros para o conceito que está por trás: a luta contra o racismo e contra a desvalorização da legítima cultura dos negros. Baco vocifera contra isso utilizando elementos orgânicos mesclados com trap e samples bem diferenciados. Mas ainda tem espaço para as chamadas lovesongs. Um disco necessário para fechar o ano do rap nacional.

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13. Charles Bradley – Black Velvet

Infelizmente, Charles Bradley não está mais entre nós, mas isso não nos impede de admirar sua obra e seu talento imenso. Com apenas quatro discos lançados, o cantor trouxe mais significado para elementos musicais do que bandas que vivem se repetindo por aí. Tudo que ele fez é muito sincero, muito pungente, cortante e emocionante. Impossível não se emocionar com um artista que não conseguia deixar de se expor completamente na frente do microfone.

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12. Mahmundi – Para Dias Ruins

Focada em uma sonoridade calma, leve e brilhante, Mahmundi traz mais um álbum que confirma seu nome como um dos principais da cena da música brasileira moderna. Ela continua trabalhando bem o feel orgânico com o eletrônico e referenciando implicitamente gente do neo soul americano. O disco traz um frescor típico de uma música que se renova sempre para nos agradar.

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11. Tom Morello – The Atlas Underground

Tom Morello volta a gravar se baseando em um gênero que odiava, a EDM. O resultado é um disco que alinha perfeitamente a intenção roqueira dos arranjos eletrônicos com as guitarras e riffs. O estilão que a gente já conhece desde o Rage Against The Machine e Audioslave passou por filtros modernosos e futurísticos para nos impressionar com uma energia que parece não ter fim.

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10. Ed Motta – Criterion of the Senses

Mais um disco do Ed Motta em que ele segue fiel ao bom e velho Ed Mottês musical: às experimentações harmônicas livres e às suas influências. E, mais uma vez, o disco proporciona uma boa jornada por um universo que mescla criatividade sem limites na rearrumação de elementos musicais com uma obsessão por um clima cativante. Evidentemente, tem canções mais funkeadas que relembram o passado de hitmaker, mas o foco é o futuro.

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9. Rashid – Crise

Rashid abriu as cortinas de 2018 com um álbum sensacional, cheio de punchlines precisas que nos acertam em cheio enquanto nos impressionam com o talento do rapper com a caneta. E para completar, o disco ainda conta com ganchos melódicos cativantes que simplesmente nos proíbem de esquecer as canções. Discaço!

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8. Jonathan Wilson – Rare Birds

Jonathan Wilson é conhecido como o cara que toca com o Roger Waters e produz o Father John Misty. Contudo, ele também é um cara que faz discos solo sensacionais, com conceitos bem definidos e plenamente convincentes. Rare Birds é mais um exemplo de como ele consegue unir a preocupação com os climas tímidos/introspectivos e uma imaginação musical frutífera que brinca de experimentar com estruturas e subgêneros.

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7. Fantastic Negrito – Please Don’t Be Dead

O Fantastic Negrito sobreviveu a diversos problemas em sua vida pessoal para encarar uma carreira musical. Nessa empreitada, sua ambição é grande: pretende reimaginar o blues que a gente já conhece e jogar funk, soul e um pouco de rock no caldeirão. Mesmo que seja difícil fazer isso sem repetir a fórmula pronta, Negrito consegue impor sua personalidade em cada escolha reforçando o fato de que estamos ouvindo um álbum dele.

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6. Elza Soares – Deus é mulher

Outro exemplo de pessoa que sobreviveu a diversas circunstâncias na vida e consegue transformar essa experiência em boa música. A voz da Elza já carrega o suficiente para te convencer acerca da autoridade que ela tem para fazer MPB e enveredar por outros estilos de um jeito bem criativo. Ela continua representando o talento e a força dos artistas nacionais, tão bons quanto os de fora. A produção do Guilherme Kastrup só contribui para melhorar tudo isso.

Confira o podcast que fizemos sobre a Elza

 

5. Kassin – Relax

Kassin é um bom exemplo de produtor-compositor-que-grava-tudo-sozinho. Nesse disco, ele chega a um resultado tão experimental e, de certa forma, hermético, que provavelmente não conseguirá repetir a fórmula nem se fizer engenharia reversa. No repertório, temos rocks no estilo Guilherme Arantes, mas também momentos psicodélicos e dançantes.

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4. Phil Veras – Alma

Alma é o terceiro disco de Phil Veras, produzido por ele mesmo. O disco mistura o frescor do indie rock com referências à música brasileira que foca nos violões como forma de expressão. Os timbres são maravilhosos e cooperam na criação de um clima leve e tranquilo que convida o ouvinte aos poucos para o universo do disco. Um dos destaques da música nacional neste nosso 2018.

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3. Anderson .Paak – Oxnard

Depois de ter estabelecido um padrão altíssimo em Malibu, que entrou para a nossa lista de 2016, Anderson Paak surge novamente com um grande disco que continua investindo nessa amálgama de R&B, jazz e hip-hop feita à sua maneira, misturando as coisas e fugindo do óbvio na utilização das referências. Ele é um ótimo cantor, um ótimo rapper e um ótimo baterista. Em Oxnard, nos proporciona ótimos momentos com cada uma dessas facetas.

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2. Father John Misty – God’s Favorite Customer 

Poucos artistas são tão efetivos quando misturam introspectividade com sofisticação musical como Father John Misty. Mais uma vez, ele mostra que sabe escrever boas histórias com suas letras, mas também sabe escrever harmonias maravilhosas para vestir essas faixas. A melancolia vira brilhantismo musical e a angústia impulsiona a criatividade a atingir limites inimagináveis. Resultado: um dos melhores discos do ano.

Confira o podcast que fizemos sobre ele

 

1. Kamasi Washington – Heaven and Earth

Mais uma vez, Kamasi Washington nos convida para ingressar em sua jornada espiritual jazzística. E esse novo é uma experiência dupla, com cada disco trazendo um significado diferente, com leituras sobre o mundo e experiências pessoais. Associado de novo com um time de músicos impressionante, o saxofonista brinca com as estruturas melódicas/harmônicas/rítmicas enquanto ressignifica os elementos para maximizar o potencial de expressão. Um disco instrumental que não perde em nada em conceito, produção, execução e pós-produção para discos que possuem letras. Acima de tudo, as canções apresentam o melhor que o jazz moderno tem a oferecer.

Por essas e outras, o melhor disco de 2018 segundo o Escuta Essa Review.

Confira o podcast que fizemos sobre esse disco

 

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Gabriel Sacramento Autor

Programador, leitor assíduo e viciado em música de todos os tipos. Acredita que se há uma esperança para este mundo maluco e caótico, ela pode ser colocada na forma de melodias gentis, harmonias eficazes e um ritmo marcante. https://twitter.com/gabrielsacr https://medium.com/@gabrielsacramento

Comentários

    Guilherme

    (10 de dezembro de 2018 - 15:59)

    Ótima lista, pessoal!

    Faltou, apenas, o disco do Brother Hawk, “The Clear Lake”, rs rs rs
    (ninguém fica totalmente satisfeito com listas, né!?)

    😉

      Gabriel Sacramento

      (10 de dezembro de 2018 - 16:45)

      hahahahah sim, Guilherme. Esse é um dos discos que não passaram pelos meus ouvidos. Vou dar uma conferida.

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