É Do Brasil Vol. 5: João Ferreira, Sérgio Ramalho e Phill Veras

Soltem fogos, pois o É Do Brasil está de volta! 

Sim, continuaremos, desta vez em formato de texto, a dissecar a cena musical brasileira para trazer nomes interessantíssimos  para você, leitor. Fique ligado nestas dicas e nas próximas que virão 🙂

Ah, se você chegou aqui de paraquedas, saiba que existem quatro volumes dessa série em podcast, a saber: volume 1, volume 2, volume 3, volume 4.

 

João Ferreira – Multiser (2018)

O EP do mineiro João Ferreira foi uma das gratas surpresas da música brasileira desse ano. Um disco que cheira ao Brasil do início ao fim, explorando sonoridades tipicamente nossas como forró, samba e reggae e abusando da diversidade que é tão intrínseca ao Brasil quanto a cor amarela na bandeira. Cada faixa desse simpático registro é de uma gentileza e de uma empolgação impressionantes, arrancando um sorriso do ouvinte enquanto faz com que ele se sinta orgulhoso de ser brasileiro. Em tempos de crise em diversas esferas no nosso debilitado país, ouvir um disco que exalta a cultura e arte é sempre um bom antibiótico. Um disco simples, feito sem muito custo, e que agrada justamente por isso. João Ferreira está no começo da carreira, batalhando a cada dia por reconhecimento e para compartilhar suas canções com o mundo. Representa bem os brasileiros guerreiros que lutam por um país melhor a cada dia.

 

Sergio Ramalho – Registro (2018)

Quando enviei para um amigo o link do disco, ele imediatamente me respondeu alegando que segundos já lhe deixaram em paz. E paz é uma boa palavra para descrever esse conjunto melancólico de feixes de composição. Investindo na força do acústico, Sérgio Ramalho utiliza o violão como expressão, resgatando e exaltando um dos principais instrumentos da nossa música ao buscar sofisticações harmônicas que suportam suas boas escolhas melódicas. Os arranjos dosam bem o acústico com a instrumentação, acrescentando força e intensidade onde é necessário, sem mais, nem menos. A boa mixagem assinada por Luis Ianinni é efetiva o suficiente para deixar o cantor próximo do ouvinte, como se estivesse na mesma sala. Um disco leve, gentil e prazeroso de ouvir, que instiga a reflexão e à solitude.

 

Phill Veras – Alma (2018)

Tranquilo como um John Mayer, moderno, mas com uma linguagem sonora tipicamente brasileira, recorrendo sempre que possível ao violão. Assim é a identidade musical de Phill Veras, que acabou de liberar Alma, seu terceiro trabalho de estúdio. Entre violões entrelaçados com pianos e outros instrumentos, sob uma produção que foca o indie, Veras impressiona com uma riqueza de detalhes muito grande e uma imaginação que conquista o ouvinte por deliciosas migalhas de espontaneidade deixadas ao longo do disco. Vale a pena separar 46 minutos para conferir a obra desse garoto.

 

 

 

Ouça os álbuns nos links abaixo:

 

 

Gabriel Sacramento Autor

Programador, leitor assíduo e viciado em música de todos os tipos. Acredita que se há uma esperança para este mundo maluco e caótico, ela pode ser colocada na forma de melodias gentis, harmonias eficazes e um ritmo marcante.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *