Asking Alexandria – Asking Alexandria (2017)

A volta de Danny Worsnop e o metalcore jovem-adulto

Por Lucas Scaliza

A volta do vocalista Danny Worsnop trouxe também uma vontade de conquistar fãs antigos, atuais e novos. “Alone In a Room”, sem vocais guturais e com refrão facilmente memorizável, já deixa clara a intenção de soar moderna e acessível até onde suas guitarras pesadas permitem.

Inclusive, embora tenha garganta, peito e diafragma para isso, Worsnop poupa Asking Alexandria dos vocais guturais que foram tão abundantes em The Black e a estratégia funciona. Além de diferenciar um pouco o clima de ambos os discos e deixar este novo álbum menos agressivo, acaba priorizando melodias e os jogos com a dinâmica, marca registrado do hardcore da banda. Na mesma faixa encontramos vocais altíssimos e emocionantes e linhas mais médias, assim como passagens cheias de energia e peso em contraste com outras mais climáticas, como se a gravidade fosse suspensa por alguns segundos.

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“Hopelessly Hopeful” e “When The Lights Come On” são faces do hardcore comercial. “Where Did It Go?” chega ao refrão com um coice de bateria, baixo e guitarras afinados baixo, mas no geral, é uma música comercial também. E “Rise Up” é exatamente o tipo de ilusão que a banda gosta de criar: parte de um primeiro verso extremamente poderoso que parece indicar um thrash e, logo em seguida, cai em verso menos agressivos e se resolve em um refrão feito para ser cantado por um grande e animado público. Embora a banda não entregue todo o poder de fúria que contém em si em faixa alguma, conseguiu criar momentos especiais que prometem ser potencializados pela experiência ao vivo.

“Under Denver” é o outro lado da banda, que brinca com os extremos. Poderia ser a música mais fofa da discografia do Asking Alexandria, mas tratam o lado metaleiro quase como obrigação e, por isso, a música fica indo de um lado para o outro sem nos deixar aproveitá-la como poderia ser. Se fosse uma faixa realmente feita para mostrar o lado menos pesado e agressivo da banda, teria enriquecido o álbum. Da forma como foi finalizada, cai no mesmíssimo jogo de contrastes de quase todas as outras faixas de Asking Alexandria e do resto da discografia. Logo em seguida, “Vultures” surge quase como uma balada acústica. Embora não tenha a mesma atmosfera cinematográfica da anterior, essa sim não cai no jogo de mostrar riffs e acordes pesados.

Antes do lançamento do álbum, o vocalista declarou que o “novo som” da banda seria copiado por outras bandas nos próximos anos, mas caso você tenha uns 10 anos de passeio pelo meio da música pesada já deve ter percebido que o Asking Alexandria obedece a uma lógica estética própria de seu nicho metalcore, pegando elementos que vem desde o nu metal até o djent. O que fazem de melhor é criar canções cativantes com tudo isso e não exatamente inventar algo novo que já não tenha outras tantas bandas fazendo também (pensou em Bring Me The Horizon? Pois é.).

Assim, o Asking Alexandria continua firme no mercado do metalcore mais jovem-adulto – aquele com pitadas de pop –, sempre mostrando que pode ser a banda mais pesada do planeta e nunca completando a missão, cuidadosamente arquitetando refrãos que sejam emocionantes e melódicos. O rap de Bingx em “Empire” só coroa a manutenção dos aspectos mais pop e acessíveis da banda.

Asking Alexandria acaba com saldo positivo, principalmente pela volta de Worsnop, bastante decidido a agradar e mostrar que continua em forma, e pela competência em fazer de novo o que já fizeram antes, sem dar um passo decisivo em nenhuma direção.

Lucas Scaliza Autor

Jornalista e ariano, joga truco e tarô. Nunca teve amnésia alcoólica. Tem vários discos mas não tem vitrola. É host do Escuta Essa Podcast e ouve tanta música tão alto que é capaz de ficar surdo um dia.

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