Rise Against – Wolves (2017)

Disco não possui singles tão impactantes, mas segue numa sonoridade mainstream

por brunochair

Quando comentamos The Black Market, disco do Rise Against de 2014, enfatizamos a virada mainstream que a banda ali tomou. Músicas mais palatáveis deram lugar um pouco à agressividade hardcore até então conhecida. E o disco perdurou em nossos ouvidos por um bom tempo, o que culminou na eleição dele como um dos melhores de 2014. Três anos depois, temos a chegada do novo álbum de inéditas dos caras (o oitavo da carreira, inclusive), chamado Wolves. E o que temos a considerar sobre ele?

Primeiramente, Wolves segue a pegada de The Black Market quanto à sonoridade: o grupo, mais uma vez, dá preferência a um fator melódico em contraponto a essa pegada mais roots. Aliás, ouvindo o disco algumas vezes, pode-se concluir que ele é até menos agressivo que o anterior. O Rise Against parece mais preocupado em trabalhar músicas que funcionem bem tanto para rádios, ouvintes de streaming e (sobretudo) quem acompanhará algum show da banda – aquela equalização perfeita para um rock de arena.

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E, ainda que tenhamos dito que o fator melódico é mais importante que a agressividade, o que ficou faltando neste disco foram singles com refrãos e riffs mais bem trabalhados, mais melódicos, inclusive. Em The Black Market temos as belas “Tragedy+Time”, “The Black Market”, “Bridges” e a balada “People Live Here”. Todas as canções são acima da média e tornaram-se músicas importantes do repertório do grupo. Ainda que Wolves tenha mantido a qualidade sonora do álbum anterior, nenhum single se destaca de uma forma tão impactante. O único single poderoso, segundo a nossa opinião, é a última do disco: “Miracle”, que dá um gosto de quero mais. Por conta dela, o repeat geralmente é acionado.

Um fator que continua sendo decisivo para a relevância do Rise Against são as letras. São filosóficas, são contestatórias e não são banais – há ali um linha tênue entre simplicidade e complexidade que conta muito na experiência sonora do ouvinte. Obviamente que a interpretação de Tim Mcllrath contribui muito para que essa experiência seja ainda mais interessante, sendo mais um segredo do sucesso do grupo. Enfim, se o Rise Against não criou o álbum mais criativo da carreira em matéria musical, ao menos preferiu seguir a fórmula de The Black Market e entregou ao público outro bom álbum de rock/hardcore de arena.

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brunochair Autor

Funcionário público, ex-jogador de ping pong amador, curte literatura, música, fotografia, esportes, cervejas artesanais e bons filmes. Meio brasileiro e meio uruguaio, acha que a cidade perfeita é uma mistura de São Paulo, Rio de Janeiro e Montevidéu.

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