Ulver – The Assassination Of Julius Caesar (2017)

Coletivo norueguês faz primeiro disco pop e eletrônico como ninguém esperava

Por Lucas Scaliza

É, sem dúvida, o disco mais acessível do Ulver em anos. “Nemoralia” e “So Falls The World” poderiam estar tranquilamente em um disco do Depeche Mode. Embora o instrumental seja bastante rico em clima, não é tão experimental como o anterior, ATGCLVLSSCAP (2016) e volta a apostar em melodias de voz. Em “Rolling Stone” rola inclusive uns vocais mais R&B dentro de um contexto bastante eletrônico e cheio de groove. E em “Transverberation” a banda traz um pouco dos anos 80 a uma faixa que parece ser a coisa mais acessível e comercial que já fizeram (e isso não é uma crítica).

The Assassination Of Julius Caesar é o álbum que melhor pode cair no gosto de um novo ouvinte, embora não seja exatamente um bom mostruário do que é e do que já fizeram esses noruegueses. O novo álbum carrega o DNA exploratório da banda, indo na direção do pop e da música eletrônica dessa vez, mas não deixa entrever as influências mais eruditas, religiosas e metaleiras que nortearam álbuns passados.

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A verdade é que o interesse musical do Ulver é tão vasto que fica completamente impossível prever como cada novo álbum soará. Rotular a banda então, é uma tarefa fadada ao fracasso. Nem mesmo adjetivos como “progressivo” e “fusion” parecem se encaixar mais frente um álbum como este, que faz o favor de ampliar ainda mais o espectro sonoro da banda. Se você for um baladeiro hardcore, vai encontrar até seções dançantes dessa vez.

O álbum foi gravado em Oslo e mixado em Londres. Do coletivo Ulver, quatro músicos fizeram as gravações. Outros nove foram recrutados para tocar guitarra, saxofone e as vozes femininas de Rikke Normann e Sisi Sumbundu. Ivar Thormodsæter gravou todas as baterias e Anders Møller foi o responsável pela percussão em todas as faixas.

Apesar do apelo pop do som, as temáticas são bastante cabeçudas, como sempre acontece aos conceitos que norteiam os trabalhos do Ulver. Então desde ligações entre a morte da princesa Diana e o mito da deusa grega Artemis, tentativa de assassinato do papa João Paulo II em 1981, e até a Igreja de Satã de Anton LaVey em São Francisco.

Então é isso: não dá para vislumbrar tudo o que o Ulver é por meio de The Assassination Of Julius Caesar, mas é uma forma de entrar em contato com algumas de suas características. Flertar com o pop e ir um pouco mais fundo no eletrônico não soa como heresia e nem como provocação, mas mais um passo na exploração sonora. Já há bastante tempo, é isso que, no final das contas, o Ulver curte fazer.

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Lucas Scaliza Autor

Jornalista e ariano, joga truco e tarô. Nunca teve amnésia alcoólica. Tem vários discos mas não tem vitrola. É host do Escuta Essa Podcast e ouve tanta música tão alto que é capaz de ficar surdo um dia.

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