Drake – More Life (2017)

Drake nos prova que pode ir além do comum em More Life

Por Gabriel Sacramento

Depois de lançar seu VIEWS em 2016, Drake está de volta com mais um projeto. Dessa vez, o rapper que costuma intercalar álbuns e mixtapes, lançou uma seleção de 22 faixas que ele chamou de playlist. A compilação é apenas três músicas mais longa que o álbum de 2016, mas traz uma atitude bem mais ousada que poderá ser definitivo para que este seja considerado um de seus melhores trabalhos.

Se VIEWS pecou na quantidade de faixas e na monotonia, essa nova playlist mostra que o músico aprendeu com seus erros e resolveu fazer algo que fizesse mais sentido. More Life é extenso, mas possui uma série de referências que fizeram o rapper ir além da sua zona de conforto e expandir seu escopo. Dentre todas as influências, podemos citar dancehall, afrobeat e um pouco do hip hop britânico, conhecido como grime.

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Como é de costume, temos um número infindável de cooperações, mas vamos citar alguns: Young Thug, Kanye West, PartyNext Door e Travis Scott. Como é uma playlist, o número de participações faz bastante sentido e Drake abre espaço para que seus convidados deixem suas marcas, tornando o resultado bem mais amplo e musicalmente rico. Por exemplo, a participação do rapper britânico Giggs em duas faixas foi definitiva para trazer um pouco mais do UK Garage. Já o talentoso Sampha ganhou uma faixa só pra ele: “4422”, na qual ele canta muito bem, do seu jeito sensível e emocional, fazendo desta uma das faixas mais especiais do projeto. Kanye West também trouxe um pouco de si em “Glow”, dividindo os vocais com Drake. “Get It Together” ganhou contornos dançantes e uma influência de música africana por conta da participação do DJ sul africano Black Coffee. Além das participações, temos também um Drake muito esforçado, cantando, fazendo rap, dando o seu melhor, mantendo sua identidade e lidando com as diversas influências trazidas pelos convidados.

E além das influências multiculturais, temos também faixas marcantes pelo próprio estilo de Drake. “Blem”, “Sacrifices” e “Can’t Have Everything” são exemplos de canções que possuem a assinatura dele e funcionam bem, com versos grudentos, mas não descartáveis. Diferentemente de VIEWS, o rapper investiu em melodias de melhor qualidade e, junto com seu time de produtores, fugiu da mesmice em More Life.

Drake acerta justamente por abraçar a ideia de diversificar, acrescentando poder de fogo à discografia do canadense e deixando claro quão grande é seu potencial. Aliás, nos primeiros trabalhos isso era notável – quando surgiu sendo apontado como um dos destaques do novo R&B -, mas foi mudando com o tempo. More Life faz questão de noas jogar isso na cara novamente.

Talvez essa playlist não seja tão boa para apresentar o Drake a novos ouvintes, e essa não foi sua intenção. Para quem já o conhecia, fica mais fácil de entender o que ele quis fazer e qual a necessidade de um álbum como esse em sua discografia. Em suma, você pode entender More Life como uma boa playlist, mas não uma qualquer. É algo que anuncia que ele pode ir além do que já virou comum.

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Gabriel Sacramento Autor

Programador, leitor assíduo e viciado em música de todos os tipos. Acredita que se há uma esperança para este mundo maluco e caótico, ela pode ser colocada na forma de melodias gentis, harmonias eficazes e um ritmo marcante.

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