Crystal Fairy – Crystal Fairy (2017)

Superbanda mostra atitude e diversão com riffs de moer os miolos

Por Lucas Scaliza

Gone Is Gone, Giraffe Tongue Orchestra e, fechando o terceiro vértice do triângulo, Crystal Fairy. Três superbandas, três pegadas diferentes e três álbuns de rock’n’roll alternativo e pespegante. E das três bandas, o Crystal Fairy é a que parece menos pretensiosa e a que regulou o knob dos pedais de distorção para o nível mais alto.

Em Crystal Fairy, o divertidíssimo álbum de estreia do grupo, apenas as faixas “Sweet Self” e “Under Trouble” dão um tempo na porradaria, mas mesmo assim não chegam a ser baladas e nem perdem a característica de rock orgânico que a banda exibiu nos dois primeiros singles, a acelerada “Chiseler” e a melviniana “Drugs On The Bus” (que discutimos no episódio 8 do Escuta Essa podcast). Hardcore de garagem com ecos de anos 70 (“Necklace of Divorce”), riffs pesadões e arrastados (“Moth Tongue”) e riffs pesadões e ágeis (“Crystal Fairy”) também estão no repertório da banda.

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Formada por Buzz Osborne e Dale Crover (dos Melvins), Omar Rodríguez-Lópes (At The Drive-In e The Mars Volta) e Teri Gender Bender (Les Butcherettes), o quarteto é potentíssimo como suas bandas originais, partindo do rock e chegando muito perto do metal em diversos momentos. As influências de cada um são facilmente percebidas, seja na composição de riffs de moer miolos (como os da intensa “Bent Teeth”), ou na produção das faixas, que vai do vintage (como “Vampire X-Mas”, emulando uma qualidade pré-digital de três décadas atrás) até o som garajeiro encorpado e sem frescura. E Rodríguez-López, no comando do baixo, está sempre com uma distorção ligada para garantir uma dose extra de saturação.

Enquanto banda de rock, formada por músicos de bandas de rock notáveis, o Crystal Fairy se mostra muito bem calçado. Mas é a vocalista dos Butcherettes quem mais brilha neste primeiro disco. Teri Gender Bender fica entre a potência de Emily Armstrong (Dead Sara) e a interpretação de Alissa Mosshart (The Kills e The Dead Weather), chegando a lembrar até mesmo PJ Harvey em alguns momentos, mas principalmente em “Secret Agent Rat”.

Crystal Fairy, como um todo, cumpre bem o que os singles lançados em 2016 nos deixavam antever do supergrupo. Não falta energia e nem qualidade, com um rock orgânico que não é estranhão, mas também dá suas guinadas para não ser mainstream.

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Lucas Scaliza Autor

Jornalista e ariano, joga truco e tarô. Nunca teve amnésia alcoólica. Tem vários discos mas não tem vitrola. É host do Escuta Essa Podcast e ouve tanta música tão alto que é capaz de ficar surdo um dia.

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