Night Moves -Pennied Days (2016)

O dream pop cósmico (e perfeito)

por brunochair

O álbum do qual falaremos a partir de agora não é propriamente um lançamento. Passou batido pelo radar dos escritores deste humilde espaço, mas a sorte é que pudemos recuperá-lo a tempo ainda este ano: Pennied Days, segundo disco do trio Night Moves, é um belo passeio por arranjos e melodias pop agradáveis, que agradam a qualquer ouvinte de primeira viagem.

Provenientes de Minneapolis (EUA) a banda surgiu em 2010 fruto da ideia de três amigos: o guitarrista e vocalista John Pelant, o baixista Mickey Alfano, e o multi-instrumentista Mark Ritsema. Para este segundo álbum, a banda contou também com o reforço de Josh Evert (bateria) e Jared Isabella, em razão da necessidade do grupo de ampliar tanto os horizontes musicais quanto os instrumentos (sintetizadores, teclado).

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Este álbum, por sinal, dá vazão a uma gama sem fim de estilos e influências. O vocalista consegue soar uma mistura de Rod Stewart e Bryan Adams em músicas como “Kind Lucy” e “Leave Your Light On”. O Night Moves como banda faz uma festa entre o dream pop, referências ao folk/pop e alcança uma sonoridade cósmica, até representada sob o nome da música “Carl Sagan”, em que as relações humanas são fruto de uma comparação com os movimentos dos astros.

Se estamos falando de dream pop, não tem como deixar de fazer a referência aos ícones deste movimento, o Tame Impala. “Border on Border” lembra muito aquele frescor californiano do Trails And Ways, e um resquício aqui e ali de Alpine. As guitarras, que flutuam e criam atmosferas como em “Denise, Don’t Wanna See You Cry”, lembram muito o trabalho de Adam Granduciel no The War on Drugs.

Neste cenário em que o pop perfeito e o psicodélico estão entrelaçados, o contemporâneo e as referências às décadas de 60, 70 e 90 fazem de Pennied Days um disco bastante singular. O maior símbolo desta experimentação está em “Hiding in the Melody”, que é como um tratado estético do que o Night Moves considera ser música, para que e para quem estão criando arte. Um delicioso segundo registro desta criativa banda, que parece sugar energia de algum lugar desconhecido do cosmos para entregar a nós músicas espaciais (e especiais).

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brunochair Autor

Funcionário público, ex-jogador de ping pong amador, curte literatura, música, fotografia, esportes, cervejas artesanais e bons filmes. Meio brasileiro e meio uruguaio, acha que a cidade perfeita é uma mistura de São Paulo, Rio de Janeiro e Montevidéu.

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