We Are Scientists – Helter Seltzer (2016)

Novo disco dos nova-iorquinos é uma descarga de ânimo

Por Lucas Scaliza

Como o nome indica, o novo disco dos nova-iorquinos do We Are Scientists homenageia “Helter Skelter”, talvez a música mais pesada dos Beatles. É provável que, ao olhar para as faixas que gravaram, acharam que atingiram também o nível mais alto de power rock da carreira e daí o nome reverenciando a música dos Beatles. Mas também é uma referência ao analgésico Alka-Seltzer.

Helter Seltzer é curto, mas barulhento o bastante para sabermos que se trata do álbum mais pesado da dupla. Não que todas aquelas melodias de Barbara (2010) ou os arranjos em TV En Français (2014) tenham desaparecido, pois está tudo muito bem representado em Helter Seltzer, mas dessa vez a dupla Keith Murray (guitarra e voz) e Chris Cain (baixo e backing vocal) parece ter priorizado a pegada roqueira. Embora todos os elementos indie estejam presentes, inclusive as batidas regulares e melodias que no passado fizeram com que a música deles servisse até para pistas de dança, noto que o timbre de baixo e guitarra está mais encorpado, deixando a distorção e as frequências do baixo bater firme nas caixas de som, como mostra “Buckle”, “In My Head” e “Headlights”.

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Apesar da força, eles não afastam o público e nem mudam vertiginosamente a direção do som. “Hold On”, “Too Late” (sobre a amizade de Chris e Keith), “We Need a Word” servem como lembrete de que Murray e Cain ainda não querem tirar a banda do estilo que a tornou conhecida por seu nicho de público. Seus melhores respiros estão em “Want For Nothing” – que vai do folk ao rock de grandes refrãos – e na bela “Waiting For You”, uma baladinha rock com violão na base e riffs de guitarra embolados e melodia amigável.

Há solos de guitarra no disco. E bons solos, todos bem distorcidos e nem sempre bonitinhos, mas totalmente aclimatados ao humor da música. “Forgiveness” fecha o trabalho como uma pedrada, com guitarras cortantes, bateria colocando mais pressão conforme a música entra em seu ato final e várias texturas bem escolhidas.

É o disco indie para quem não está a fim de hard rock, mas gosta de um som que pode ser fofo, mas forte, com uma grande bateria e power chords carregando seu entusiasmo pela música. Animado e divertido até quando tende a ser melancólico, Helter Seltzer é um bom disco para ouvir enquanto você malha (caso já tenha enjoado de música pop eletrônica) ou corre. Não é um disco para figurar nas listas de melhores, mas funciona como uma descarga de ânimo (ou cafeína), sem dúvida.

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Lucas Scaliza Autor

Jornalista e ariano, joga truco e tarô. Nunca teve amnésia alcoólica. Tem vários discos mas não tem vitrola. É host do Escuta Essa Podcast e ouve tanta música tão alto que é capaz de ficar surdo um dia.

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