Chairlift – Moth (2016)

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Bela capa. Belos quadros sonoros. Mas, e o conceito?

por brunochair

Uma gigante e monocromática mariposa deixa o espaço colorido dos prédios da cidade e ascende ao céu também colorido. Voa, a mariposa? Ou apenas está estagnada em algum vidro de um prédio qualquer, oferecendo a nós a ilusão de óptica de acreditar que a mariposa é maior que tudo? É a partir desta intrigante e inspiradora capa que o Chairlift apresenta o seu terceiro álbum, Moth.

Em entrevistas, Caroline Polachek (que faz dupla com Patrick Wimberly no Charlift) tem ressaltado que a mariposa traz todo um conceito que permeia este terceiro disco, sobretudo através de duas questões primordiais: a vulnerabilidade e o polimorfismo da contemporaneidade. Se você estudou um pouco sobre a vida das mariposas e borboletas, sabe que elas passam por algumas metamorfoses em toda a sua vida até chegar à fase adulta.

Sinceramente, este resenhista que vos digita não conseguiu compreender este conceito empregado na obra do Chairlift. Algumas resenhas mundo afora tentou apresentar a questão da vulnerabilidade a partir da canção “Crying in Public”, quando o eu-lírico da canção deixa-se tomar pela emoção nos vagões de um trem. Mas, é só isso? Parece que sim… Fica a impressão, no fim das contas, que o conceito é elástico demais para uma simplicidade e casualidade extremas a partir das letras das músicas, formatadas para caber em qualquer arranjo bonitinho de pop music.

Talvez, a grande sacada da dupla esteja nos arranjos. Sim, são bonitinhos e atendem o interesse da pop music, mas conseguem (também) transmitir uma sensação de perturbação e confusão. Ou seja, o que as letras não conseguiram executar em nível de metamorfose e vulnerabilidade, a sonoridade de Moth consegue abarcar e formar alguns quadros (como o da capa) bem interessantes. Fica a impressão de que a dupla talvez tenha criado primeiro as ideias musicais e, somente após isso, tenha incorporado algumas letras. A diferença de qualidade entre letras e arranjos é abissal, ainda que Caroline Polachek seja uma boa intérprete e dê vida para as canções.

Ainda que muitos digam que o Chairlift está evoluindo (o que não deixa de ser uma metáfora) e Moth seja o melhor disco da carreira da dupla, basta ouvir o début Does You Inspire You para concluir que não trata-se de uma evolução, e sim de um estágio. Ali no primeiro álbum, a dupla parece mais à vontade com o synthpop, menos preso a conceitos – como o terrível conceito de se ter que criar um conceito. Afinal, nem tudo deve ter conceito. Ainda mais, em se tratando da pop music.

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obs: Para quem não conhece a banda, mas curte Troye Sivan, Haim, Alpine, Beach House, Chvrches e St. Vincent, eis uma dica musical que pode interessar. 

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