Metallica – Master Of Puppets (1986) faz 30 anos

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Terceiro disco do Metallica é um clássico absoluto do thrash metal e da discografia da banda

Por Lucas Scaliza

O que é?

Master Of Puppets, lançado em março de 1986, é o terceiro disco do Metallica.

Histórias e curiosidades

Em 2006, o Metallica fez shows em que executava o disco Master Of Puppets na íntegra. Era uma comemoração mais do que bem vinda dos 20 anos de lançamento desse petardo do metal pesado. É, ainda hoje, um dos álbuns mais festejados do metal oitentista ao lado de Reign Of Blood, do Slayer, e Peace Sells… But Who’s Buying?, do Megadeth, ambos lançados no mesmo ano.

Se em Ride The Lightning a banda conseguiu aperfeiçoar o estilo e sofisticar as composições, colocando violões e se preocupando com as melodias dentro de seu thrash metal, podemos dizer que Master Of Puppets é o passo seguinte em que a banda começa a se libertar das amarras do rótulo. Permanece uma banda cheia de atitude, de som pesado, com agressividade e uma crescente fama de beberrona, mas as canções permitem que a música não seja apenas pauleira (como já não foram no disco anterior). “Battery”, “Disposable Heroes” e “Damage, Inc.” cumprem o papel thrash da banda, enquanto “The Thing That Sould Not Be” baixa a velocidade e, embora perca agressividade, ganha peso e contornos sinistros. E “Welcome Home (Sanitarium)” é a canção séria, com ótimos dedilhados e solo bonito, que ganha peso conforme se desenvolve, como “Fade To Black” no disco anterior.

Photo of Cliff BURTON and METALLICA and Kirk HAMMETT and James HETFIELD and Lars ULRICH
Foto de Fin Costello/Redferns

Pouco lembrada, “Lepper Messiah” também é digna de admiração, principalmente de quem é baixista e baterista, pois a cozinha de Cliff Burton e Lars Ulrich resulta em uma música pulsante. Embora não tenha o mesmo brilho e senso de ameaça que “Call Of Ktullu”, “Orion” é uma excelente faixa instrumental da banda e que atesta a abertura sonora da banda, sem solos na velocidade da luz, priorizando as melodias de guitarra e baixo e até encaixando uma colorida valsa em sua segunda metade. Há ainda “Master Of Puppets”, a melhor faixa do disco e uma das composições de rock mais icônicas da história do estilo. Riffs acelerados, interpretação agressiva e um interlúdio mais lento que atesta a evolução composicional do grupo e qualidade expressiva do quarteto.

Em 1985 o Metallica estava longe do sucesso absoluto, mas ganhava notoriedade. James Hetfield e Lars Ulrich escreveram a maior parte das músicas em uma garagem em El Cerrito, na Califórnia, e só depois de terem as faixas bem estruturadas é que chamaram o guitarrista Kirk Hammett e o baixista Cliff Burton para os ensaios. Antes de iniciarem as gravações, Lars fez mais algumas aulas de bateria e Hammett foi buscar em Joe Satriani formas de gravação mais eficientes. Somente a composição de “Orion” e “The Thing That Should Not Be” foram finalizadas no estúdio.

A gravação do disco ocorreu no mesmo estúdio dinamarquês Sweet Silence, o mesmo onde Ride The Lightning fora gravado, com o mesmo produtor e engenheiro de som, Flemming Rasmussen, que também produziria …And Justice For All (1988). Naquela época a banda descobriu que o dólar era forte na Europa e que poderiam contratar o serviço de estúdio pelo dobro do tempo do que teriam nos Estados Unidos pelo mesmo preço. A banda também alegou que não estava satisfeita com a acústica dos estúdios dos EUA.

Rasmussen diz que a banda sabia que estava fazendo algo bastante bom desde que ouviram as músicas em suas versões demo. “Acho que todos sentimos que seria o melhor disco do Metallica até ali”. Os discos da banda nos anos 80 são todos diferentes uns dos outros em sonoridade. Rasmussen confirma que essas mudanças sonoras foram decisões tomadas pela banda e por ele conscientemente. Segundo ele, Master… foi uma evolução do que haviam aprendido e experimentado em Ride…. Já Justice… foi feito em outro contexto, estúdio diferente, e o som seco foi totalmente planejado.

Não houve videoclipes e nem um single radiofônico lançado para divulgar o álbum. Mas de março a agosto de 1986 eles excursionaram abrindo shows de Ozzy Osbourne, dando a oportunidade de a banda tocar pela primeira vez em arenas, para um público metaleiro maior. Durante as gravações, a banda se manteve sóbria a maior parte do tempo. Na turnê, os hábitos etílicos voltaram a dominar o quarteto, que ganhou o apelido de “Alcoholica” da imprensa. James Hetfield quebrou o pulso andando de skate e durante alguns shows ele apenas cantou, deixando a guitarra base para seu técnico, John Marshall. Em setembro de 86, na Suécia, o ônibus da turnê capotou no gelo e Burton foi lançado pela janela e faleceu.

Músicas e destaques

Battery – Explosiva e enérgica, abre o disco com uma dose cavalar de heavy metal. O principal riff da música foi feito por Hetfield de improviso, durante um tempo livre em Londres. Quando a parte mais pesada da música começa, a banda não usa os comuns power chords (nota raiz do acorde e seu quinto grau), mas uma díade, acorde de duas notas composto pela nota raiz e sua terça menor.

Master Of Puppets – Uma música sobre drogas, como elas controlam as pessoas, “mexendo com sua mente e esmagando seus sonhos”. Hetfield depois assumiria que o seu problema com álcool teve grande parte na letra da música. Rasmussen diz que a música foi tão bem escrita e suas partes se conectavam tão bem que ela praticamente “se gravou sozinha”. Até hoje é uma das músicas obrigatórias do Metallica ao vivo e de maior prestígio entre os fãs.

The Thing That Should Not Be – Música baseada no Cthullu do escritor H.P. Lovecraft. É o momento mais lento do álbum e também sua esquina mais escura. É uma das abordagens do Metallica na música pesada que mais gosto. Há força, há mistério e há um clima sombrio que não está presente nas músicas mais aceleradas do grupo. Com o tempo, o vocal de James ficou mais grave, combinando ainda mais com o tom da música.

Orion – Instrumental de mais de oito minutos composta em grande parte por Cliff Burton. Sendo dele, encaixou dois solos de baixo, mas tocados com distorção, de forma que soam quase como uma guitarra. Sem falar que seu instrumento, no início da canção, está filtrado por um wah-wah, fugindo completamente do modo tradicional de fazer o instrumento soar, ainda mais na cena heavy metal.

Passa no teste do tempo?

Não só a faixa título é obrigatória nas apresentações ao vivo da banda como o disco em si é reconhecido como um marco do heavy metal. Não há uma banda da época ou que tenha surgido anos depois que não tenha sido influenciada ou inspirada de alguma forma por Master Of Puppets. Dream Theater, Trivium, Avenged Sevenfold e até os violeiros brasileiros Ricardo Vignini e Zé Hélder, entre tantos outros, pagaram seus tributos ao álbum.

É um álbum que vale a pena ser ouvido até hoje por carregar a visceralidade original do Metallica, a energia e o virtuosismo que marcou o grupo como uma das principais – e hoje uma das mais conhecidas – bandas de metal do mundo. James Hetfield, ao lembrar do disco, diz que Master é o Metallica antes da fortuna e de serem “arruinados pela fama”, antes de virarem, eles próprios, marionetes do show business. Um período em que ele, ironicamente, chamou de “inocente” para a banda.

Foi durante a turnê deste álbum que Cliff Burton morreu. Assim, além de um grande disco da banda é o canto do cisne de um dos baixistas mais cheios de pegada que o rock e o metal conheceram na década de 1980. Qualquer baixista que queira conhecer a obra de Burton a fundo terá em Master Of Puppets o principal “sítio arqueológico” de sua técnica e contribuição para a música. Embora …And Justice For All tenha sido tocado por Jason Newsted, a maior parte das músicas foi escrita enquanto Burton estava vivo, dividindo inclusive os créditos da instrumental “To Live Is To Die” com Hetfield e Ulrich.

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Comentários

    […] bandas pelo mundo já fizeram tributos ao Ramones: Rob Zombie, Red Hot Chili Peppers, Metallica e Sonic Youth, por exemplo. Isso mostra a larga influência que os garotos exerceram em muita gente […]

    Igor Maxwel

    (29 de agosto de 2016 - 12:54)

    Aí sim, Master of Puppets, o melhor disco do Metallica na minha opinião. Há quem diga que o Black Album é o melhor, por ser muito diferente de MOP, mas MOP é imbatível desde seu lançamento há 30 anos!

    […] a bateria e Ra Díaz para o baixo (instrumento que já foi tocado pelo Roberto Trujillo, hoje no Metallica). A produção é assinada por um cara famoso no meio do progressivo, Paul Northfield, que […]

    […] trabalho do Metallica, não aproveita tão bem todo o espaço que tem. Compare a estrutura dela com “Master Of Puppets” por exemplo. “Confusion”, por outro lado, abre o segundo disco mostrando uma excelente […]

    Rafael Lumertz

    (20 de maio de 2017 - 11:47)

    Na minha opinião é um disco incrível!

    Forte Abraço

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