Jonas Sá – BLAM! BLAM! (2015)

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Passeando por estilos musicais e submundo, Jonas Sá lança disco indispensável da nova cena da MPB

por brunochair

Se 2015 foi considerado uma catástrofe pra muita gente, Jonas Sá não tem do que reclamar, sobretudo no que se refere a sua carreira musical: produziu o aclamado e premiado disco da Ava Rocha (que, aliás, está na nossa lista de vinte melhores de 2015), escreveu uma música em parceria com Alberto Continentino para o Estratosférica, da Gal Costa (“Casca”), e finalmente conseguiu lançar o seu segundo álbum, BLAM! BLAM!, que também foi recebido pela crítica musical com bons olhos.

Negritamos o finalmente ali, pelo seguinte motivo: o disco de Jonas Sá ficou aproximadamente um ano sem possibilidade de lançamento por conta da capa acima. O nu frontal, clique do fotógrafo Jorge Bispo (da série Apartamento 302) foi considerado abusivo por diversas fábricas, que se negaram a prensar o disco físico do cantor e compositor. O motivo? Essas fábricas produzem bastante material para igrejas evangélicas, e temiam que a imagem de um corpo nu fosse (por equívoco) parar na mão de algum crente.

Após três negativas, muita luta e o álbum enfim pôde ser prensado, mantido o nu frontal. Caso você acesse as plataformas digitais, verá que há uma banana escondendo boa parte do nu da mulher, sobretudo os pelos pubianos. Enfim, a censura permaneceu inabalável. Apenas para lembrar de outro fato envolvendo censura, a capa de Selvática, da Karina Buhr, não pôde ser divulgada no Facebook. Enfim, 2015, pornôs a torto e a direito em sites e whatsapp, e a preocupação demasiada com o nu artístico…

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A capa censurada

Censuras à parte, falando do disco: BLAM! BLAM! é um disco corajoso, por dar vazão aos instintos que os humanos preferem deixar nos porões da inconsciência. Fazendo um paralelo com a literatura, Jonas Sá desenvolve uma linguagem musical que o assemelha a Rubem Fonseca e Dalton Trevisan, que são os autores brasileiros mais famosos a dedicar seus textos a uma análise do modo de pensar e agir do submundo.

Jonas Sá não esconde o caráter libidinoso, lascivo e brutal da sua música. Bêbados, travestis, garotas do computador, a mulher da favela, o gigolô… tudo que é varrido das vistas da retidão surge nas letras de Jonas Sá, dando o tom, sabor e cheiro para as suas músicas. Aliás, além dessa característica lasciva bastante presente, o que se destaca também é a ampla sonoridade desenvolvida em BLAM! BLAM!, transitando pela soul music 70’s, samba, mpb, música eletrônica.

Jonas utiliza vários esquemas de colagem nas músicas – tem uma hora que rola até PacMan. A sua voz transita entre a calmaria e a visceralidade: quando está mais calmo, seu vocal lembra o de Léo Jaime; quando há visceralidade, Fausto Fawcett. É promovendo este passeio por diversos ritmos, alguns efeitos de colagem, muita lascívia e submundo que o cantor apresentou este seu novo trabalho, lançado em 2015. Por conta da ótima qualidade sonora e dos temas tabus, mais um disco indispensável da nova cena da música popular brasileira.

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