Phony Ppl – Yesterday’s Tomorrow (2015)

phony ppl yesterday's tomorrow

A importância de se manter (sempre) ouvido e mente abertas para o novo

por brunochair

Há uma pergunta que (talvez) alguns dos frequentadores do blog tenham curiosidade em saber (ou não). Mas enfim, sabendo se é uma pergunta verídica ou não, se é digna de resposta ou não, responderei ainda assim: “caras, onde vocês acham tanta coisa diferente pra resenhar?”. Tanto eu (brunochair) quanto o Lucas Scaliza (meu sócio) buscamos novos artistas e bandas através de diferentes fontes de pesquisa.

Sim, há as bandas já conhecidas, e das quais seguimos seus passos via redes sociais para saber se e quando lançarão um disco. Há as bandas não tão conhecidas, mas que se já são meio conhecidas, é porque um pouco são. E há as desconhecidas também, já que não nascemos com um catálogo musical acoplado em nossas mentes, com backup e atualização diárias.

Como chegamos a estas bandas desconhecidas? Bom, aí há um arsenal de possibilidades: desde indicação de amigos mais próximos (meu, como você nunca ouviu isso?), pesquisas e downloads pelos sites newalbumreleases e plixid. Outras fontes de referência importantes são os sites especializados em música da gringa, como o Pitchfork, AllMusic, NME, Consequence Of Sound e outros do gênero.

Alguns frequentadores do blog também nos ajudam com indicações, como é o caso do Marcelo, do Derek Andres, e até um bom conhecedor de música que comenta em nosso blog através do nickname “Ejaculador”. Além dessas possibilidades, também somos receptivos a ouvir o material que as próprias bandas mandam. Nem sempre conseguimos atender e ouvir tudo o que nos é remetido por conta de tempo e outros afazeres, mas tentamos o possível.

Enfim, tudo isso pra dizer que descobri a banda que estou resenhando agora a partir de uma lista de música chamada Alternative R&B do Spotify. O resenhista deve estar atento a toda e qualquer influência. Já baixei discos sem qualquer referência, e foram gratas surpresas, como é o caso de Barock Project e Enfant. Neste caso, ouvi a canção “Why ii Love The Moon” do Phony Ppl e fiquei bastante interessado.

Obviamente, desliguei a lista da Alternative R&B e fui para o disco do Phony Ppl, chamado Yesterday’s Tomorrow. O disco é bom logo de cara. O engraçado é que tal disco passou batido por nós, já que foi lançado no mês de janeiro do corrente ano de 2015. Enfim, antes tarde do que nunca. Devemos manter sempre ouvidos atentos e a mente aberta para o novo. Sempre há o frescor para quem está atento.

phony ppl yesterday's tomorrow 3

Falando agora do disco, Yesterday’s Tomorrow: “Why ii Love The Moon”, a música que me proporcionou debutar na sonoridade do Phony Ppl, mistura diversos elementos. Um deles fica evidente nos vocais, que é o reggae. Um reggae mais moderninho, estilo Ziggy Marley. A canção também apresenta alguns elementos de jazz, que também se estendem pelo restante do disco e, neste ponto, aproximam a banda de outro artista que também foi bem sucedido em misturar o jazz a outros elementos, que foi o You’re Dead, do Flying Lotus.

O hip hop é uma das características mais fortes na discografia do Phony Ppl, e surge tanto nesta “Why ii Love The Moon” quanto em vários momentos do disco novo. No entanto, a presença do hip hop e dos samplers poderosos está mais no disco anterior do Phony Ppl, chamado 53,000. Neste, a banda caminha por outros estilos musicais, como os já citados reggae e jazz, mas também o soul, a r&b e uma aproximação com o chillwave.

Para se ter uma ideia da versatilidade e habilidade da banda com outros elementos, o disco de estreia da banda (Phonyland) é marcado pela aproximação com o soul, o funk e a r&b. Ou seja, temos três discos completamente distintos, comprovando a habilidade do sexto de Brooklyn, Nova Iorque, em desenvolver elementos sonoros consistentes e interessantes.

Phonyland talvez seja o disco mais consistente da carreira da banda, por apresentar treze excelentes canções. O que não tira a qualidade de Yesterday’s Tomorrow em apresentar uma sequência de canções que conseguem produzir satisfação em ouvintes não preconceituosos, que não estejam interessados em rótulos, não temem que a música os leve para lugar desconhecidos. Neste ponto (o da experimentação), o Phony Ppl aproxima-se do Hiatus Kaiyote, banda australiana que oferece de tudo um pouco para o ouvinte que estiver interessado.

Portanto, sempre há e haverá espaço para o novo, caso tenhamos ouvidos atentos e mentes abertas. Assim, teremos espaço para o novo. Às vezes, o nem tão novo assim. Mas, para nós, o que é considerado “velho” pode ser o novo, e isso basta. A proposta do Escuta Essa! é essa, afinal. Aliás, já que estamos no fim desta resenha, farei uso do afinal mais uma vez (e outra, agora):

Afinal, qual será o próximo disco a ser resenhado?

obs: no bandcamp, é possível ouvir os outros discos do Phony Ppl. Aproveite!

brunochair Autor

Funcionário público, ex-jogador de ping pong amador, curte literatura, música, fotografia, esportes, cervejas artesanais e bons filmes. Meio brasileiro e meio uruguaio, acha que a cidade perfeita é uma mistura de São Paulo, Rio de Janeiro e Montevidéu.

Comentários

    Marcelo

    (23 de outubro de 2015 - 17:15)

    Respondendo a pergunta sugiro resenhar um disco que com certeza estará em praticamente todas as listas dos melhores de 2015.
    Julia Holter
    http://www.metacritic.com/music/have-you-in-my-wilderness/julia-holter

    […] Nem sempre é fácil encontrar um disco de jazz que seja tão completo e vasto de influências que possamos indicar para alguém que quer começar a ter algum contato com o estilo e, ao mesmo tempo, que soe interessante também para quem já é do meio e já ouviu dos clássicos às experiências mais contemporâneas do gênero. Geralmente, ou acabam sendo mais tradicionalistas (como o Brad Mehldau Trio), ou se entrincheiram em um nicho dentro do jazz (como os Yellowjackets) ou parte para uma abordagem supermoderna (como Donny McCaslin) ou promovem misturas inusitadas (como Badbadnotgood, Jaga Jazzist e Phony PPL). […]

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