Anathema – A Sort Of Homecoming (2015)

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Acústico gravado na Catedral Anglicana de Liverpool é mais um acerto da banda

Por Lucas Scaliza

A banda inglesa Anathema está em uma ótima fase, a melhor da carreira. Após o ótimo Weather Systems (2012), lançaram um excelente disco ao vivo gravado em um antigo teatro romano de Philippopolis (na antiga Constantinopla, hoje dentro do território da Bulgária). Filmado pelo fotógrafo e videomaker Lasse Hoile (que também fotografa e filma shows de Steven Wilson, Opeth e Katatonia), Universal (2013) colocava a banda para tocar junto de uma orquestra sinfônica. No ano seguinte, Distant Satellites seguiu a mesma trilha do álbum anterior, mas ao invés de temas atmosféricos a banda preferiu colocar seu rock progressivo no espaço. A turnê que se seguiu (com duas passagens pelo Brasil) culmina agora com o lançamento de A Sort Of Homecoming, um ao vivo acústico gravado na Catedral Anglicana de Liverpool, cidade natal do grupo.

Os últimos trabalhos do grupo mostraram um poder sonoro tão grande, que se beneficiava de teclados, bases pré-gravadas e orquestrações para construir seus inesquecíveis crescendos, que a ideia do formato acústico parecia, a princípio, ir na contramão do desenvolvimento que suas músicas mostravam ao vivo. Todavia, A Sort Of Homecoming mostra que o formato acústico cai como uma luva para as composições dos irmãos Cavanagh. Muitas músicas, como The Lost Song Part 2 e a dupla Untouchable Part 1 e Part 2, executadas apenas com piano e violões (com discreto baixolão e percussão mínima) acabam revelando-se tão belas assim, nuas, quanto suas originais superproduzidas.

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O amplo espaço da catedral, evocando uma aura de austeridade, espiritualidade e elegia, também se prova perfeito para o clima geral das 15 músicas do repertório. A acústica do ambiente faz os instrumentos ganharem uma dimensão única na gravação, sem falar na propagação das vozes de Vincent Cavanagh e de Lee Douglas, cristalinas como nunca.

Como a maioria dos acústicos, o disco entrega uma versão mais suave das composições, mas nem por isso menos emocionantes e impactantes. Se “Dreaming Light” fica ainda mais parecida com uma canção de ninar agridoce, “Thin Air” ainda tem toda a força da original e ainda ganha um teclado viajante para completar sua ambientação. “Anathema” mantém a mesma grandiosidade, se beneficiando absurdamente da acústica da catedral. O solo épico que Daniel Cavanagh executava na guitarra teve a melodia mantida, mas o instrumento foi substituído pelo violino da exímia Anna Phoebe, uma alemã radicada em Londres que já gravou diversos estilos musicais.

O repertório do disco é uma versão compacta do setlist que o Anathema apresentou durante a turnê de Distant Satellites, misturando principalmente músicas dos dois últimos álbuns e algumas preferidas dos fãs, como “Fragile Dreams” e “A Natural Disaster”. As únicas surpresas são “Eletricity” e “Temporary Peace”, que ficam muito bem no conjunto do repertório e no formato acústico.

Além dos violões, piano e violino, contam com uma banda de apoio formada por David Wesling no cello (que tocou com a banda em A Moment In Time e Hindsight), Jamie Cavanagh no baixolão e John Douglas na percussão, sempre cuidadoso para não transformar o delicado formato acústico em um rock de arena. Os crescendos de “Ariel” e “Internal Landscapes” estão presentes, tão expressivos quanto nas versões de estúdio.

A Sort Of Homecoming é mais um acerto da banda. Além de uma bela produção e de um belo resultado tanto no blu-ray quanto no disco de áudio, não é uma repetição de Universal e nem um disco ao vivo comum. A escolha criativa pelo formato acústico em uma catedral é um motivo original para conferir a banda ao vivo mais uma vez.

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Comentários

    […] número de instrumentos. Lá fora o formato também segue bem vivo. Recentemente Anathema lançou A Sort Of Homecoming, Placebo o MTV Unplugged e até mesmo o Pain of Salvation tiraram os violões do case para fazer o […]

    […] disco está sendo lançado e promovido pelo selo KScope, que tem Steven Wilson e Anathema em seu catálogo, e só por esse detalhe já é possível prever que se trata de uma artista com […]

    […] (como o produtor Marcel van Limbeek, o selo de art rock KScope e Daniel Cavannagh, guitarrista do Anathema) para que projetos diferenciados possam sair das partituras e chegar a quem quiser […]

    Natalia Beani

    (31 de março de 2017 - 02:01)

    Oi. Só queria dizer que eu amo essa banda e esse show ta lindo!
    Daniel Cavanagh é a alma musical do anathema, cara gênio, voz linda, ele deveria cantar mais.

    Beijos

    […] de qualquer opinião que possamos ter sobre The Optimist, novo disco da banda Anathema, é importante lembrar que os ingleses estão em uma ótima fase marcada pela maturidade e […]

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