Stratovarius – Eternal (2015)

stratovarius_eternal_2015

De trabalho novo, o Stratovarius não cansa de se repetir

Por Lucas Scaliza

Resumindo Eternal: são 11 faixas e 54 minutos de metal melódico com tudo que se tem direito: orquestrações, guitarras velozes, vocais altos, ênfase nas melodias épicas, refrãos ainda mais altos, temas grandiosos, míticos e, em grande medida, eurocêntricos. É o Stratovarius mais uma vez entregando o que tem entregado ao longo de toda a carreira. A banda está tão ciente disso que faz o que pode para não mudar muito. Seus fãs, afinal, só exigem que a banda repita a mesma fórmula, viciados que são no formato de metal que os finlandeses praticam.

Em Destiny (1998) e Elements Part 1 & 2 (2002 e 2003) eles exerceram o puro metal melódico, equilibrando bem passagens mais pesadas e dinâmicas com outras mais cadenciadas e suaves. E em Stratovarius (2005), feito em meio a terríveis brigas internas, conseguiram dar espaço para ideias um pouco diferentes do que vinham praticando até então. Em Eternals eles anabolizaram as canções, muitas delas soando mais diretas e aceleradas, mais cheias de som e, quando o baterista Rolf Pilve pesa a mão, leve os refrãos para o nível power metal, como em “My Eternal Dream” e “Shine In The Dark”. E há os momentos em que a guitarra épica se une aos teclados, que imitam uma orquestra, dando um ar de grandiosidade ainda maior, como ocorre em “Rise Above It”. Em “Lost Without a Trace” e “Feeding the Fire” temos a oportunidade de ouvir o baixo de Lauri Porra em primeiro plano durante alguns momentos, pare depois testemunharmos o instrumento ser novamente encoberto por camadas de guitarra e orquestrações.

stratovarius_eternal_2015-3

Quem é novo no mundo do metal pode achar tudo isso muito lindo e bonito, como se a banda realmente se equiparasse a uma orquestra. Mas para quem já está mais calejado e os acompanha desde os anos 90 ou 80, não há muita novidade e pouca coisa mais sofisticada aqui. Quando chegamos a “In My Line of Work”, já na segunda metade do álbum, fica a impressão de que estamos ouvindo, de novo, os mesmos tipos de esquematismos: o riff de guitarra principal, por exemplo, é baseado em acordes power e, ao final, ouvimos uma nota agressiva ser tremulada, mais aguda que o riff (isso ocorre principalmente no final da canção). Essa mesma técnica, que não é nenhuma novidade no hard rock e heavy metal, já fora usada pelo menos em outras três faixas anteriores de Eternal. A criatividade não anda mesmo em alta, visto que não tentam variar seus riffs nem mesmo dentro do mesmo álbum.

“The Lost Saga” é a faixa mais épica do disco, lembrando muito o Rhapsody e o Blind Guardian. Em outras palavras, é a música que lembra a versão musical de alguma batalha medieval da literatura fantástica. O interlúdio instrumental é uma das melhores partes da composição, mostrando a banda alternando entre os compassos 3/4 e 4/4. O terceiro ato da música é mais sinfônico e lento, mas ainda bastante forte, com acentuações que não nos deixam de perder de vista que trata-se e uma banda de metal.

Timo Kotipelto, o vocalista e a cara do Stratovarius agora que Timo Tolkki não faz mais parte do grupo (ele saiu em 2008), continua o mesmo de sempre. Canta muito bem para o estilo que se propõe, com os mesmos maneirismo e vícios de sempre. Matias Kupiainen, guitarrista do grupo, é competente, mas absolutamente nada do que ele faz em Eternal será lembrado ou contribuirá com o metal de alguma maneira. Ele não parece preocupado em criar riffs ou licks que sejam marcantes.

Quem é fã do Stratovarius justamente por serem previsíveis como sempre, não tem do que reclamar. E de lambuja leva um disco cheio de porradas, bastante sinfônico e com apenas uma faixa longa. Quem não está mais tão apegado ao melódico ou é bastante seletivo com o caráter sinfônico do metal atual, talvez escute Eternal mais por curiosidade e nostalgia do que esperando encontrar um petardo. Secret Garden, do Angra, tem seus problemas próprios, mas é mais variado do que este. E mesmo o Helloween, que também não fez um ótimo álbum em My God-Given Right, pelo menos se apegou mais ao metal tradicional para não repetir mais uma vez a fórmula que ajudou a criar nos anos 80.

Sendo assim, não julgaremos se é um disco bom ou ruim. Este 15º disco do Stratovarius é puro fan service. Tire suas conclusões.

spotify:album:2XtEn2SyFeIgTfA4Hyuj1Q

stratovarius_eternal_2015-2

escut652_wp Autor

Comentários

    Lacrimosa – Hoffnung (2015) | Escuta Essa!

    (26 de novembro de 2015 - 12:42)

    […] visto que a maior parte das bandas de metal europeias (sejam escandinavas, italianas, alemãs, finlandesas ou até mesmo portuguesas) tendem a usar o inglês. Contudo, assim como o Rammstein, isso é um […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *