Hannah Cohen – Pleasure Boy (2015)

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O belo que há na melancolia, o rompimento, os arranjos. E a capa, que pode te enganar.

por brunochair

A capa deste disco esconde muito o que há por dentro. A bela cantora (loira) perfeitamente maquiada e à frente de uma imensidão de bolos de casamento pode dar a impressão de que ouviremos um disco da pop music mais banal, repleto de músicas clichês e coreografias para todo o lado. No entanto, ao começar a ouvir o disco, surpresa: ele é muito mais soturno que se pudesse imaginar. Nem toda a primeira impressão é a que fica, portanto?

Hannah Cohen compôs um álbum com referências bastante confessionais. É como se estivéssemos lendo (com o consentimento da cantora e modelo estadunidense) o seu diário – sobretudo naquele momento em que a pessoa começa a escrever muito por conta do fim de um relacionamento. É um processo que reúne canções bastante dolorosas, como “Baby”, “Watching You Fall” e “Lilacs”. O mote do rompimento também foi utilizado com muita delicadeza no excelente Are We There (2014), de Sharon Van Etten. As cantoras fazem da tristeza a sua inspiração, sem precisar adotar a psicanálise para tal.

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Pleasure Boy é um disco relativamente pequeno, disposto em oito faixas e pouco mais de 34 minutos de duração. Parece o tamanho ideal para a cantora apresentar todas as suas frustrações, arrependimentos, angústias. Também nestas oito canções podemos observar o excelente trabalho de produção, que ficou a cargo de Thomas Bartlett (Doveman). Para se ter ideia da excelente mão que ele possui enquanto produtor, eis as referências: todos os discos do The National, The Gloaming e o excelente disco deste ano (confessional, também) Carrie & Lowell, de Sufjan Stevens.

A dupla Cohen/Bartlett consegue oferecer uma impressão bastante singular ao disco, oferecendo uma mescla entre o synth pop bastante presente em algumas músicas, e a presença de algo mais orgânico, como o piano de Bartlett. Junta-se a isso tudo o trabalho vocal de Hannah Cohen, que lembra um pouco o vocal de Beth Gibbons, do Portishead. Aliás, o processo de mesclar a synth pop e música mais orgânica nos faz lembrar (guardadas as devidas proporções) Portishead, Radiohead, PJ Harvey, Fiona Apple. Obviamente, outras referências bastante próximas de Hannah Cohen são Lana Del Rey e Lykke Li, cantoras que também caminham pelo pop soturno e não usual.

Comentários sobre algumas músicas: “Keepsake” apresenta uma linha de synth pop que causa até uma certa estranheza, que acaba por desaguar na segunda música do disco, “Lilacs”. Esta segunda música oferece, a um só tempo, o triste e o singelo. É a melhor música do disco. “Watching You Fall” começa com piano/vocal e segue a mesma tendência da melancolia de “Lilacs”, embora com uma melodia mais arrojada. “I’ll Fake It” trabalha na linha de um synth pop mais “animado”, devidas aspas pelo contexto todo do disco (ela me lembrou “Dissolve”, do Daniel Jonhs).

Outra música bastante intensa (e muito bonita) é a que encerra Pleasure Boy, chamada “Baby”. É um encerramento daqueles, no nível de “I Went To The Store One Day” do álbum I Love You, Honeybear de Father John Misty – que é um dos melhores discos de 2015. Portanto, vale a pena conferir o disco de Hannah Cohen. Tornou-se um álbum bastante interessante por aliar a bela voz e letras confessionais de Hannah Cohen ao cuidado do produtor Thomas Bartlett em criar uma atmosfera que não soasse clichê ou piegas, mas sim original, contemporâneo.

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