Ratatat – Magnifique (2015)

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Indie rock, eletrônico, violão havaiano: instrumental amigável

Por Lucas Scaliza

Magnifique, do Ratatat, é um disco amigável. Você escuta do começo ao fim e se sente em casa, acolhido, como se o som instrumental meio indie rock, meio eletrônico dos caras fosse a trilha sonora para qualquer hora do seu dia. Eu mesmo testei: ouvi o disco logo pela manhã ao acordar, ouvi durante o trabalho, ouvi a noite enquanto lia. Só não testei ainda na estrada, mas estou certo de que caberá direitinho nessa função road sountrack também.

O Ratatat é uma dupla criativa do Brooklyn que atende pelos nomes de Mike Stroud (guitarra, percussão e sintetizador) e Evan Mast (baixo, percussão e sintetizador). E eles são muito bons no que fazem: as melodias de guitarra são ótimas, sempre guardando um leve cheiro de overdrive e super equilibradas. Os sintetizadores dão o ar mais eletrônico do projeto e complementam as melodias.

ratatat 2015

Os timbres escolhidos tanto ajudam a moldar o som moderno do Ratatat quanto emprestam uma personalidade única às suas músicas. E pelo menos em Magnifique não há uma só batida que não seja bem encaixada ou uma linha de baixo que não seja excelente para o estilo. E olha que o espectro sonoro do álbum vai da preguiça praieira de “Drift” e “Supreme”, ao indie eletrônico de “Cream on Chrome” e “Rome”, que lembram muito o Air, passando também pelo roque moderninho “Abrasive” e “Cold Fingers”, a daftpunkiana “Nightclub Amnesia” e tem ainda uma versão de “I Will Return”, faixa grava originalmente pelo Springwater (codinome do britânico Phil Cordell) em 1971. Depois de incorporarem elementos do hip hop em álbuns passados, a dupla está mais próxima de seu primeiro disco, Ratatat (2004), mais objetiva e também bastante atualizada com novos equipamentos que produzem novos sons.

 

Embora exista muita qualidade técnica nessa dupla – os temas de guitarra de Stroud são muito melódicos, cheios de bends e principalmente de slides espertos para conseguir o som do violão de aço havaiano –, não é um projeto de música instrumental que preze pela virtuose ou por momentos histriônicos. É menos Steve Vai e mais Mogwai, mas alinhado com a música eletrônica, e não com o post rock. Pode parecer confuso ao tentar ilustrar o som da banda – e do disco – por meio dessas comparações e referências, mas como disse logo no início da crítica Magnifique é amigável, desce fácil e você logo entende onde e como ele se posiciona no universo de estilos musicais que conhecemos.

O Ratatat começou a excursionar com o novo show antes mesmo de o novo álbum sair, inclusive com passagens pelo festival californiano Coachella e pelo nova-iorquino Governor’s Ball. E, novamente como o Air, a dupla vira uma baita banda animada ao vivo: Stroud se concentra na guitarra, Mast no baixo e músicos contratados assumem os demais instrumentos. De duo, o Ratatat se torna uma banda. Se o disco já transborda de boas vibrações, no palco é pura vitalidade.

A capa do disco, uma imagem que já associam ao Revolver e ao Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatles, saiu, assim, naturalmente. Stroud e Mast escreveram as novas músicas em uma cabana em Long Island (Nova Iorque) e perceberam que a parede da cozinha precisa de uma nova pintura. Usaram suas habilidades e esboçaram rostos: o cantor Roy Orbison, o ator Al Pacino, o skatista Lance Mountain, e uma série de outros rostos. Pronto, virou a capa do ótimo novo disco.

RATATAT-2015-photo-by-Asger-Carlson

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