Jamie xx – In Colour (2015)

Jamiexx-InColour

Disco solo de um dos XX’s pretende esvaziar a sua mente

 por brunochair

 Jamie Smith, mais conhecido pelo pseudônimo Jamie xx, é músico e produtor britânico. Apesar da pouca idade (26 anos), desenvolve um trabalho há uma década com a banda The XX, e foi a partir do sucesso da banda que Jamie xx se tornou um artista de renome internacional. Em 2015, Jamie alça seu primeiro voo solo, com o lançamento do álbum “In Colour”.

Enquanto o The XX é conhecido pelas músicas com teor mais melancólico (sorumbático, digamos) In Colour apresenta uma outra proposta estética, mais eletrônica e numa good vibe. Para entender essa proposta estética distinta, nada melhor que uma análise das canções de In Colour:

 A primeira música do disco, “Gosh”, pode remeter a uma ideia ilusória do que seja este disco de Jamie xx. Trata-se de uma música eletrônica com colagens, bem ao estilo do que produziu Dan Deacon este ano. No entanto, no caso de Dan Deacon as colagens estão dispostas de forma caótica, enquanto Jamie xx as utiliza, no decorrer das canções, de uma forma mais lógica – cronológica.

De qualquer forma, “Gosh” é um cartão de visitas estranho, e não representa o que virá pela frente. Da segunda a sétima música, o álbum toma um rumo distinto: uma levada mais descontraída, de certa forma descompromissada. A partir daí, o disco torna-se ideal para ouvir num fim de tarde, para contemplar o pôr-do-sol, pensar na vida. É a trilha sonora para esvaziar a mente, literalmente. Num sentido mais budista da coisa, saca? Não é vazio de conteúdos, mas sim de sentidos.

 Esvaziar a mente, esvaziar a mente, esvaziarmente a… mente. esvaziar. a. mente. a mente. a mente, esvaziar.

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Deixando o budismo de lado e voltando para a análise: o disco consegue ficar no limite preciso da experimentação e de uma sonoridade mais pop. Há faixas pop’s, sim. A mais significativa delas é a nona, “I Know There’s Gonna Be (Good Times)”, em que a sua proposta é bastante radiofônica e lembra bastante a música que o Ne-Yo fez em parceria com o Pitbull este ano (“Time Of Your Lives”).

Loud Places”, a oitava, também tem uma pegada mais comercial, no estilo do electrohouse do Calvin Harris. “The Rest Is Noise” tem a mesma proposta da primeira música, “Gosh”. Mas aí o ouvinte, se estiver seguindo a ordem das músicas, terá passado por boa parte do álbum e não estranhará tanto essa música quanto a primeira. “Girl” é um pouco menos experimental que as últimas músicas citadas, mas apresenta mais similaridades com estas do que com as demais.

No fim das contas, o disco apresenta essas duas nuances distintas, mas o que une todas as canções é esse viés mais despojado e descontraído. Reunindo músicas com potencial radiofônico e outras com cunho mais experimental, In Colour vem recebendo elogios da crítica especializada em música eletrônica. Trata-se de mais um artista irrequieto, procurando dar vazão a anseios estéticos diferentes daqueles que a banda, na qual ele é integrante, se propõe a fazer. E, por conta dos elogios que vem recebendo, parece que Jamie foi bem-sucedido nessa nova empreitada.

Jamie XX at FYF Fest in Los Angeles, CA on Sunday August 24.
Jamie XX at FYF Fest in Los Angeles, CA on Sunday August 24.

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Comentários

    Halsey – Badlands (2015) | Escuta Essa!

    (26 de agosto de 2015 - 20:11)

    […] eletrônico como acontece com FKA twigs e Björk ou como as experiências mais ricas em texturas de Jamie XX e The Chemical Brothers, mas ela acerta no clima e na profundidade dos graves. Ao mesmo tempo, não […]

    Disclosure – Caracal (2015) | Escuta Essa!

    (26 de setembro de 2015 - 04:41)

    […] Portanto, sem que percebessem Guy e Howard Lawrence promoveram uma vanguarda artística à sua volta, sendo que vários outros artistas surgiram (e continuam a surgir) na esteira da dupla, ou ganharam maior repercussão. Como exemplos, podemos citar o SBTRKT, Aluna George (que participa do primeiro disco dos caras), Duke Dumont e até Sam Smith, que conseguiu alçar maior voo em sua carreira solo após o sucesso da música “Latch”, dobradinha dele com o Disclosure que está no álbum de 2013. De certa forma, também Jamie xx foi influenciado por esse viés eletrônico do Disclosure em seu elogiado álbum solo deste ano, In Colour. […]

    The XX – I See You (2017) | Escuta Essa!

    (17 de janeiro de 2017 - 19:25)

    […] que Jamie Smith, um dos membros do The XX, decidiu lançar um álbum solo – In Colour (2015) – no qual se permitiu experimentar com a música eletrônica e fugir um pouco do dream pop […]

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