Barock Project – Skyline (2015)

skyline

Melhor álbum de rock progressivo de 2015?

por brunochair

Ainda é cedo para dizer, mas talvez tenhamos o melhor disco de rock progressivo do ano vindo lá da Itália. A banda chama-se Barock Project, e o álbum chama-se Skyline. 

É o quarto disco dessa banda italiana, que foi fundada em 2004 pelo pianista Luca Zabbini. Após algumas mudanças de formato, atualmente a banda possui quatro integrantes: Luca Pancaldi, vocalista (desde 2005), Eric Ombelli, baterista (desde 2012) e Marco Mazzuocollo, guitarrista (também desde 2012). Atualmente, a banda está sem baixista, e em Skyline Luca Zabbini ficou responsável por gravar o instrumento.

Se estamos dizendo que Skyline é um disco fantástico no gênero, temos que agora explicar os porquês. E é simples, em razão da beleza do disco, e se você curte rock progressivo, vai entender os motivos (e questioná-los, se discordar). Bom, primeiramente uma banda de rock progressivo precisa ter excelentes músicos, não é?

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Durante a evolução das músicas, fica evidente que os integrantes da banda são muito competentes neste aspecto. Sobretudo o fundador da banda, Luca Zabbini. Dono de uma técnica invejável, lança mão de um repertório de fraseados durante o álbum.

No começo de Skyline, as canções (“Gold”, “Overture”) são mais rápidas e diretas, seguindo um estilo do neo rock progressivo. A banda intercala momentos em que podemos lembrar do trabalho solo de Neal Morse, e em outros momentos é possível recordar do Flower Kings.

O trabalho do vocalista Luca Pancaldi, neste sentido, é bastante expressivo. Vindo anteriormente do metal, o cantor também possui um arsenal extenso, e que nos faz lembrar desde trabalhos de Hasse Fröberg (The Flower Kings) até o deu seu compatriota Fabio Leone, ex-vocalista do Rhapsody e atualmente integrante do Angra. Em momentos de música mais introspectiva, sua voz corresponde e casa lindamente com a linha melódica.

O baterista Eric Ombelli consegue dar conta da quebradeira toda, faz o trabalho mais discreto entre os integrantes. O guitarrista Marco Mazzuocollo traz outros elementos para esta banca onde o rock progressivo predomina: algumas músicas tem uma forte inspiração do hard rock em razão do seu trabalho na guitarra.

E é interessante que essa aproximação com o hard rock é que faz a banda aproximar-se ainda mais com as bandas deste neo rock progressivo, como o Spock’s Beard e The Flower Kings. As músicas “Skyline”, “Roadkill”, “Sppining Away” possuem esses elementos mais crus, sendo que esta última música citada possui uma complexidade maior em relação às demais, com referências perceptíveis do Dream Theater, por exemplo.

Ao mesmo tempo que falamos dos integrantes, já falamos das músicas. As primeiras músicas mais rápidas e diretas; a outra metade do disco, flerta com o hard rock e composições que variam da simplicidade para a complexidade. As últimas três músicas são um deleite para um ouvinte do rock progressivo: “Tired”, “A Winter’s Night” e “The Longest Sigh” tem um refinamento, uma originalidade que não é tão fácil de encontrar no gênero.

Estas últimas músicas são um reflexo bastante claro das influências das bandas que a banda diz ter como referência, que é Emerson Lake & Palmer e Genesis. O pianista Luca Zabbini, em entrevista, menciona que os álbuns And Then There Were Three e Duke foram motivo de inspiração para este trabalho da banda.

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Percebe-se que, ao mesmo tempo que todas as canções do álbum possuem uma complexidade melódica, a banda optou por cuidar de cada fragmento das músicas com “carinho”: não há fritação, nenhum dos integrantes parece querer demonstrar que entende mais que o outro, que é gênio em seu instrumento.

A inspiração de boa parte das músicas ocorreu entre 2012 a 2015, e algumas músicas sob forte influência dos acontecimentos ocorridos em 2012 na Itália, quando um abalo sísmico de proporções consideráveis assolou a região da Emília-Romana, na Itália – local este em que residem os integrantes. Fazer destes momentos de perplexidade, angústia e medo arte, parece uma condição comum a todos que possuem sensibilidade para capturar algo além do trágico.

Eis alguns motivos para termos considerado Skyline uma das surpresas do ano, quiçá o melhor álbum de rock progressivo de 2015. Agora, para concordarem conosco, vocês precisam ouvir o disco novo do Barock Project e os demais. Concordando ou não, temos a caixa de comentários para opiniões 😉

Abaixo, uma das canções do álbum, “Overture”:

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Comentários

    […] para quem não adquiriu gosto pelo progressivo ou jazz mais exibicionista e cerebral. O lindo Skyline, dos italianos do Barock Project, também é altamente técnico e cheio de partes diferentes em […]

    […] 8. Barock Project – Skyline […]

    […] bandas islandesas como Sólstafir e Árstíðir, enquanto eu apresentei os italianos do Barock Project e a world music australiana do Hiatus […]

    […] De forma geral, é um disco que aposta na segurança do rock progressivo europeu. Tem a inclusão bem vinda de abstrações e passagens mais jazzísticas, mas nada que vá fazer marejar as pupilas de um apreciador de King Crimson, Frank Zappa ou Genesis. A banda ainda poderia ter ido mais fundo na experimentação e na exploração. Técnica e confiança eles mostram que têm. Os vocais funcionam, mas não são a parte mais importante do disco. É o som que conta mais pontos para o Gentle Knife. No entanto, o ímpeto de ser bonito e elegante espanta a visceralidade e é um pouco disso que sentimos falta nesse primeiro disco. No final, aí está uma banda que vale a pena conhecer e um disco que é bom. Só falta um pouco mais de força e poder de fogo, mais ou menos como os italianos do Barock Project demonstraram com Skyline. […]

    […] Já baixei discos sem qualquer referência, e foram gratas surpresas, como é o caso de Barock Project e Enfant. Neste caso, ouvi a canção “Why ii Love The Moon” do Phony Ppl e fiquei […]

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    […] que trabalha com o fino da soul music, reinventando-a; já falamos sobre uma banda italiana (Barock Project) que desenvolve um rock progressivo refinadíssimo; no Brasil, temos o Bixiga 70 e o Aláfia, que […]

    […] o Barock Project em 2015, através do disco Skyline. Na época, escrevi a resenha sobre o disco surpreso com a qualidade do trabalho como um todo, desde as influências tanto […]

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