Lifehouse – Out Of The Wasteland (2015)

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Tá ali… na média

Por Lucas Scaliza

Os californianos do Lifehouse não são de arriscar. No Name Face, de 15 anos atrás, apresentou o rock alternativo da banda – aquele som bonito, animado, com guitarras leves e sem pesar a mão na agressividade, flertando com o country quando possível. É desse bom disco também a balada “Everything”, que virou trilha sonora da primeira temporada do seriado Smallville, quando essa série ainda era relevante. Depois do enorme sucesso do hit romântico “You and Me”, de Lifehouse (2005), também um bom disco, o grupo teve certeza do que deveria fazer sempre: rock leve, com bons arranjos, que seja bastante radiofônica, mas sem soar pop demais. Apenas Stanley Climbfall (2002) fugiu à regra, deixando o Lifehouse soar mais alternativo. Foi um fracasso de vendas e eles não se arriscaram mais. E assim eles têm mantido a banda.

Nenhum dos discos da banda é ruim. Nenhum é incrível também. Stanley Climbfall talvez tenha sido um relativo fracasso porque antes dele o público já esperava algo mais fácil de digerir, na praia de No Name Face, porque o alegado peso do disco não chega a assustar (e na mesma época o público jovem americano já estava ouvindo Linkin Park, Papa Roach e diversas outras bandas mais pesadas também). O caso é que o último disco deles, Amelría (2012), dividiu muito as opiniões. O novo trabalho, Out Of The Wasteland, tem mais chances de conseguir um consenso: um bom disco do Lifehouse, mas que novamente não surpreende.

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O grupo se separou por um tempo e cada músico foi se dedicar a algum projeto pessoal. O baterista Rick Woolstenhulme saiu em turnê com o Goo Goo Dolls, o guitarrista Bem Carey foi se dedicar a banda de country-rock Elvis Monroe (e acabou saindo do Lifehouse permanentemente logo depois), o baixista Bryce Soderberg fundou o KOMOX e o cantor Jason Wade começou a trabalhar no que seria um disco solo. Acabou colecionando mais de 70 canções ao longo de 18 meses e percebeu que deveria reunir a banda. Wade disse que esse processo foi como voltar as raízes do grupo.

De fato, Out Of The Wasteland tem uma pegada muito próxima daquela do pop rock de No Name Face e Lifehouse. Contudo, qualquer traço mais alternativo e mais deslocado que existia nos primeiros trabalhos deram espaço para letras mais contemplativas, positivas e alegres. De qualquer modo, não há como não começar gostando do disco após ouvir “Hurricane” logo de cara, talvez uma das melhores músicas que a banda já fez. Souberam manter o mesmo nível de empolgação com “Stardust”, “Alien”, “Firing Squad”, a meio country “Hurt This Way” e o refrão de “One For The Pain”. “Runaways” tem aquele estilo que aponta para algo bastante alternativo, mas o refrão é grandioso. Há espaço também para um estilo mais cancioneiro do oeste (“Wish” e “Yesterday’s Son”) e a balada bem arranjada “Central Park”.

“Flight” (mais uma música de homem apaixonado fazendo papel de alguém que vaga sem rumo solitário, acompanhado por um piano preguiçoso) pode até ser melosa e tristonha durante grande parte, mas Wade e Jude Cole (parceiro de composição do vocalista e também produtor do álbum) souberam planejar uma guinada da metade para a frente que deu mais força à canção. Nas mãos de uma banda que tenta seguir à risca o pop/rock para rádios e trilhas sonoras para televisão, uma balada dessas sempre corre o risco de ser melodramática demais.

Embora tenham um som produzido com cuidado e bem lapidado para que nada fique barulhento demais e nem estridente, o Lifehouse tem cultivado um som de banda: três ou quatro caras tocando junto, um piano ou efeitos de estúdio para complementar. Às vezes, quando preciso, uma orquestração é acrescentada para dar mais dramaticidade (ou melodramaticidade).

Sem dúvida, a grande música de Out Of The Wasteland é “Hurricane”. O restante do disco cumpre bem o que a banda tem prometido ao longo de sete álbuns e 15 anos de história, sem dar nenhum passo em direção a nada diferente e nem tentando se livrar das fórmulas que se não transformando o Lifehouse em uma banda ainda maior (e melhor), também não estão prejudicando as expectativas de seus membros.

Falta, quem sabe, a coragem (ou a visão de negócios) de um Mumford & Sons, que trocou o country inglês por um som mais indie atual. Ou talvez estejam plenamente satisfeitos dentro da zona de conforto que se tornou fazer rock que não exceda nenhum limite e que não seja tecnicamente desafiante. A banda continua boa, mas boa como várias outras também conseguem ser. Pelo menos, Out Of The Wasteland é melhor do que Almería.

Um álbum equilibrado. Tá ali, na média.

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