Halestorm – Into The Wild Life (2015)

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Um bom disco de hard rock – e que não é adolescente

Por Lucas Scaliza

Embora ainda não esteja no panteão das grandes bandas americanas, e dependa de um pouco mais de divulgação fora dos Estados Unidos, o grupo Halestorm ganhou moral em 2013 ao conquistar o Grammy de Melhor Performance de Hard Rock/Metal no esteio de seu segundo disco, The Strange Case Of… (2012).

O quarteto de Red Lion, na Pensilvânia, chega ao seu terceiro disco de estúdio com o bom Into The Wild Life e mostra uma banda que se equilibra entre o hard rock, o rock alternativo e o pop alternativo. Lembra até a banda-revelação brasileira Far From Alaska.

Halestorm

“I am the fire” é uma das músicas mais intensas que já fizeram. O vocal de Elisabeth “Lzzy” Hale, a líder ruiva do grupo, se revela em todo o seu potencial e toda a banda está muito bem encaixada. O refrão explosivo, com vocal alto e agressivo, é tão empolgante quanto os melhores momentos de uma Janis Joplin.

Não faltam momentos de rock’n’roll em Into The Wild Life. “Apocalyptic” é outra que traz uma pegada mais agressiva, cheia de viradas de bateria. “Amen” e as nervosinhas “Gonna Get Mine” e “I Like it Heavy” vêm com selos de aprovação (ou tributo, quem sabe) do hard rock clássico (alguém pensou em AC/DC?). E “Mayhem” evolui até um refrão cheio de energia e com a voz quase gutural de Lzzy. “Scream”, que abre o disco, e “Jump The Gun” deixam claro que se trata de um disco bastante moderno e que se resume a duas guitarras, um baixo e uma bateria tentando fugir dos ritmos mais básicos, apostando em pausas bem planejadas, timbres graves e refrãos que podem grudar. Já “Sick Individual” é um rock com aquele jeitinho arrastado, mas fácil de tocar nas rádios. E “Unapologetic”, faixa bem feita e empolgante como “I am the fire”, fecha com muita competência o novo trabalho do Halestorm.

Apesar de toda a quantidade de rock, suficiente para garantir que o álbum seja divertido e forte tanto em estúdio quanto nos vindouros shows da turnê (e o Halestorm é uma banda que se garante ao vivo), as baladas e passagens mais pop também fazem parte do que a banda apresenta.

“Dear Daughter” é mais protocolar, o velho esquema “vocal feminino e piano” com a introdução de uma guitarra para nos lembrar que é uma banda de rock. Já “New Modern Love” e “What sobe couldn’t say” têm linhas vocais bastante pop e instrumentação bem alternativa, não chega a ser exatamente rock e também não é o pop de consumo rápido. “Bad Girls World” é mais uma incursão pelo pop romântico bem feita, tirando o solo de guitarra final de Joe Hottinger que parece totalmente deslocado, como se a música já tivesse terminado e ele insistisse em continuar tocando, mesmo sem acompanhamento. “The Reckoning” é bonita e infelizmente para por aí.

Into The Wild Life tem muitos momentos excelentes, mas não há nenhuma faixa capaz de alçar voos realmente altos. O quarteto é muito competente, mas não chega a brilhar. É um bom disco, não tão direto quanto as raízes setentistas e oitentistas do hard rock e não estranho e arrastado como algumas experiências dos anos 90. Há um bom equilíbrio de elementos.

Fazendo uma comparação, o Halestorm é uma versão mais adulta do Paramore, mas sem a mesma quantidade de singles famosos da banda da outra ruiva, a Hailey Williams. Mesmo assim, vale a pena continuar de olho. Com a forte Lzzy Hale como frontwoman, talvez falte apenas mais oportunidades de aparecer a um público ainda maior. Embora nenhum seja estupendo, bons discos eles já têm para mostrar que podem chegar mais longe.

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Lucas Scaliza Autor

Jornalista e ariano, joga truco e tarô. Nunca teve amnésia alcoólica. Tem vários discos mas não tem vitrola. É host do Escuta Essa Podcast e ouve tanta música tão alto que é capaz de ficar surdo um dia.

Comentários

    Ejaculador

    (25 de agosto de 2018 - 15:43)

    Pq vcs ainda não fizeram resenha do novo do Halestorm? O Vicious (2018)?

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