Russo Passapusso – Paraíso da miragem (2014)

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Influenciado pelo samba, rock e soul brasileiros, álbum solo de Russo Passapusso é bastante interessante

por brunochair

É Russo porque seu nome (Roosevelt) é um tanto complexo para pronunciar. É Passapusso por causa do ritmo do coração. Assim temos o nome artístico de Russo Passapusso, artista baiano que há anos tem desenvolvido projetos dentro do cenário da música popular baiana, com as bandas Baiana System, Bemba Trio e Ministereo Público. Em 2014, o artista desenvolveu seu primeiro álbum solo, Paraíso da Miragem.

Este álbum solo mostra uma faceta bastante diferente do que corriqueiramente desenvolve em seus projetos. Com a produção de Curumin, Lucas Martins e Zé Nigro, este álbum reverencia o soul, o samba e o pop brasileiros, sobretudo aquele realizado na década de setenta. Algumas referências: Jorge Ben, Tim Maia, Antônio Carlos & Jocafi. Ao mesmo tempo, este álbum solo de Russo Passapusso dialoga e soa contemporâneo, lembrando os trabalhos de Lucas Santtana, Otto e também Thales Silva, que lançou o seu primeiro álbum solo em 2014.

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Neste trabalho, além desta sonoridade samba/soul, o que se destaca é a performance vocal do Russo, já que nas outras bandas que participa o cantor emprega uma voz muito mais visceral. Em Paraíso da Miragem há falsetes, há momentos em que há silêncio e a voz do cantor caminha, lentamente, por sobre a canção. É o caso de “Sem Sol”, em que há a participação especial de Anelis Assumpção. Esta música, por acaso, é uma balada (triste), e é uma das canções mais bonitas do álbum.

“Paraquedas” é um bom cartão de visitas. É aquele samba/rock/soul brasileiro dos anos setenta, fazendo referência aos artistas já citados nesta resenha. É interessante que o Russo consegue, também, trazer à tona uma certa mística que paira sobre os álbuns setentistas. Não trata-se só das influências africanas oriundas do samba, mas também das diversas referências que Jorge Ben (alquimia) e Tim Maia (cultura racional). Há, também, um certo misticismo nas canções de Russo Passapusso. Talvez seja a sua proximidade com a música popular baiana, que influencia em seu processo criativo como um todo.

“Remédio”, segunda canção do álbum, já tem uma pegada mais rock’n roll e contrasta com a primeira música. No entanto, é um rock comportado, fazendo lembrar canções de Erasmo Carlos. “Flor de Plástico” segue a tendência da primeira canção, e os falsetes do Russo traz à tona Tim Maia. Outras canções interessantes são “Sangue do Brasil”, que tem uma veia africana e soa muito mais contemporânea. “Relógio” é boa para dançar, e “Sapato” segue a mesma tendência. Dois samba/rock muito gostosos de ouvir, de uma vez só.

Portanto, trata-se de um álbum muito interessante do ano passado, e que não poderia deixar de ser citado no blog. Para quem curte um samba/rock/soul, de artistas criando material de qualidade a partir de referências tipicamente brasileiras, passar por Paraíso da Miragem de Russo Passapusso torna-se um ótimo lugar para visita.

brunochair Autor

Funcionário público, ex-jogador de ping pong amador, curte literatura, música, fotografia, esportes, cervejas artesanais e bons filmes. Meio brasileiro e meio uruguaio, acha que a cidade perfeita é uma mistura de São Paulo, Rio de Janeiro e Montevidéu.

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