Ne-Yo – Non-Fiction (2015)

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Dezenove hits e a intenção de abarcar vários estilos musicais

por brunochair

Já ouviu falar de Ne-Yo? Caso o nome não seja familiar, sua música certamente é. O cantor americano é um artista bem sucedido da cena R&B, tendo emplacado vários hits durante estes poucos anos carreira. Grande parte dos seus álbuns estiveram no topo da Bilboard, suas canções não cessam de tocar nas rádios, alguns de seus clipes possuem até uma centena de milhões de acessos no Youtube.

Obviamente, trata-se de um R&B mais próximo das massas, que flerta com a música vendável e comercial. Segue a mesma tendência de artistas como Usher, Chris Brown e Akon. Além da R&B, procura incorporar elementos da EDM (eletronic dance music) e do hip-hop.

Non Fiction, sexto álbum de estúdio de Ne-Yo, segue a mesma tendência dos álbuns anteriores: apresenta um artista essencialmente da R&B contemporânea, flertando com estes outros estilos já citados e produzindo músicas para o grande público fruir. Ou seja, se você possui algum tipo de preconceito contra o estilo de música ou relacionado a “fazer música para a rádio”, então é melhor parar a leitura da resenha por aqui.

Se você não quis parar, avancemos. O que Non Fiction apresenta de diferencial em relação aos álbuns anteriores? A primeira questão é a troca de gravadora. Na verdade, trata-se de um retorno à Universal Music, depois de o cantor ter lançado o seu último álbum (de 2012) pela Motown. Observa-se um trabalho de produção deste novo álbum muito mais voltado para atrair o público – e não somente para agradar a crítica, como o álbum antecessor.

Outra questão é a quantidade de músicas. São dezenove ao todo, e abarcam todo o tipo de sonoridade a que Ne-Yo esteve envolvido durante a carreira. Há músicas do puro R&B, R&B misturado com música eletrônica, R&B com hip-hop. As temáticas das músicas são as mais diversificadas, também – que tratam desde elementos religiosos (“Religious/Ratchet Wit Yo Friends”) a uma proposta do eu-lírico para a parceira aceitar um ménage à trois (“Story Time”).

Parece que, neste álbum, houve um cuidado maior em aproveitar a voz de Ne-Yo. Em outros álbuns e hits, seu belo timbre ficava perdido no meio de um sem número de extravagâncias de samplers e demais movimentos da música. Cabe lembrar que, guardadas as devidas proporções, o seu timbre de voz lembra o de Michael Jackson. A primeira música do álbum, “Everybody Loves/The Def Of You”, mostra o poder da voz do cantor.

No entanto, não fica somente nesta música. “Integrity”, com participação de Charisse Mills, também é uma música muito interessante. E já que estamos falando em participações, este álbum está repleto de duetos. Ne-Yo convidou artistas dos mais variados, como Pittbull, Jezzy e Juicy J. Artistas tão variados demonstram o quanto o álbum é múltiplo:

O problema em ser variado é, talvez, tentar abraçar várias vertentes e descaracterizar-se. Ne-Yo não segue o dito popular de que “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”. Ele prefere utilizar-se do estilingue e atirar para todos os lados. Porém, não podemos negar que, dentro do estilo e intenção musical a que está inserido, Ne-Yo novamente entrega um bom trabalho ao público – com bons momentos artísticos e canções que, com toda a certeza, invadirão as rádios, paradas de sucesso e academias mundo afora.

Melhores músicas: “Everybody Loves/The Def Of You”, “Integrity”, “Who’s Taking You Home”, “Time Of Our Lives”, “Take You There”.

brunochair Autor

Funcionário público, ex-jogador de ping pong amador, curte literatura, música, fotografia, esportes, cervejas artesanais e bons filmes. Meio brasileiro e meio uruguaio, acha que a cidade perfeita é uma mistura de São Paulo, Rio de Janeiro e Montevidéu.

Comentários

    […] bônus “Research”, com participação de Ariana Grande.  Mas de forma geral, não é como Non-Fiction do Ne-Yo, que acaba sendo um amontoado de canções comerciais com todo o tipo de black music que […]

    […] Times)”, em que a sua proposta é bastante radiofônica e lembra bastante a música que o Ne-Yo fez em parceria com o Pitbull este ano (“Time Of Your Lives”). “Loud Places”, a oitava, […]

    […] como o do (ex?) vocalista do silverchair Daniel Johns, bem como a pop music/r&b do Ne-Yo. Ambos seguem uma tendência bastante comum ao estilo, que também é compartilhada por outros […]

    […] Nenhuma delas é um single tão powerfull quanto foi “Time Of Our Lives” de Ne-Yo e Pitbull, mas fato é que The Weeknd convida e dialoga artistas contemporâneos, detentores de […]

    robín torres

    (5 de outubro de 2015 - 03:19)

    Cuando viene Ne-Yo a la Argentina???

    […] Das 16 faixas, o nome da cantora aparece em 10 delas como compositora, sempre dividindo os créditos com um time de 21 outros compositores. Na produção, os nomes mais citados são o de Rock Mafia (duo composto por Tim James e Antonina Armato, responsáveis por músicas de gente como Miley Cyrus, Demi Lovato, Justin Bieber, No Doubt, Ellie Goulding, entre outros), Hit-Boy (especializado em hip hop, tendo trabalhado com Jay-Z, Eminem, Kanye West e Lil Wayne) e o duo norueguês Stargate (formado por Tor Erik Hermansen e Mikkel Storleer Eriksen que, muito ativos no dance e R&B, já trabalharam com grandes nomes como Michael Jackson, Beyoncé, Rihanna e Ne-Yo). […]

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