Arctic Monkeys – AM (2013)

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Em seu 5º disco, grupo mostra musicalidade em constantemente amadurecimento

Por Lucas Scaliza

AM é um atestado da maturidade e da abertura da mentalidade sonora do Arctic Monkeys para um rock’n’roll que se permite ser inclusivo.

Vou explicar melhor. Os três primeiros discos dos meninos ingleses de Sheffield chamara a atenção por ser 1. Bem feitos; 2. Bem tocados, mas nada de virtuosismo; 3. Eram garotos tocando rock’n’roll, como numa banda de colégio; 4. Transbordava diversão. A situação era mais ou menos parecida com a dupla baixo/bateria Royal Blood, que lançou um baita disco vigoroso este ano de rock cru este ano e tiveram como padrinhos ninguém menos que o próprio Arctic Monkeys.

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No início, o som era testosterona pura, eram básico e rápidos, viviam a fluorescência da adolescência. Foi com o ótimo Suck It and See (2011) que conseguiram pisar no freio e fazer música boa sem precisa ser acelerada, mas mantendo o mesmo espírito jovem e fresco para o rock inglês. Foi também quando começou a estética motociclista. E, por causa de seus clipes, conseguiram deslocar a imagem da banda do vocalista e compositor Alex Turner para o baterista Matt Helders.

AM é a continuação natural de Suck It and See. Eles mantêm as músicas menos aceleradas e simples, livres de afetações estilísticas, mas sabem preparar arranjos cada vez melhores. Mantiveram o estilo estrada e moto, mas permearam o disco todo com passagens que lembram a black music, principalmente nos backing vocals (muitos deles executados por Helders, aliás) e nos grooves. Essa abertura para novas influências musicais mantém o repertório da banda diversificado e ainda soando interessante.

Mesmo uma música cheia de riffs graves como “R U Mine” é totalmente tomada pelos backing vocals que lembram canções de soul. Sem falar no vocal logo no ínicio de “One fo the road” e sua linha de baixo e de teclado. “Do I wanna know” é um novo clássico do Arctic Monkeys. Não é uma música poderosa, mas seu riff de guitarra é um chiclete.

“Arabella” e “I want it all” ganham força com as guitarras distorcidas, mas há espaço para o falsete e para uma linha de baixo mais suingada. Nesse contexto, a divertida “Why’d you only call me when you’re high?” surge como a maior surpresa do álbum, cheia de ritmos e bases que esperaríamos em uma música pop de hip-hop, não em uma banda de rock. Mas funciona bem demais.

As duas baladas “No. 1 Party Anthem” e “Mad sounds” seguem a mesma linha de “Piledriver waltz” e “Love is a laserquest”. Lentas e muito calcadas na linha vocal de Alex Turner, que faz um excelente trabalho de condução, ladeado pelo bonito piano do produtor James Ford na primeira e por um ritmo mais folk na segunda. “Fireside”, uma das melhores do disco, tem um solo de guitarra gravado pelo músico inglês Bill Ryder-Jones  e um ritmo de violão que o mantém embalado. Além de acertar a mão com um riff bastante característico em “Knee socks”, Helders encaixa um ataque ao prato sempre no contratempo, dando aquele toque simples capaz de rebuscar uma canção. E “Snap out of it”, outra fluente e divertida canção de AM, tem um ótimo trabalho dos músicos em estúdio.

Aliás, AM é o disco produzido pelo Arctic Monkeys que mais se arrisca no estúdio, incluindo instrumentos que não fazem parte da banda (teclado, piano, percussão adicional e tamborine), confiando em uma produção mais focada em como as faixas vão soar no disco, e não ao vivo apenas. Vale destacar que o amigo Josh Homme, líder do Queens of the Stone Age, que já produziu outros álbuns da banda, faz backing vocals em “One for the road” e “Knee socks”.

Acredito que seja difícil apontar o melhor álbum do Arctic Monkeys. Olhando a evolução deles desde que surgiram em 2006 com Whatever People Say That I Am, That’s What I’m Not, até agora mostraram um crescimento como músicos e compositores que só tende a melhorar. Assim, acho que o melhor trabalho da banda ainda está por vir. Mas a dobradinha Suck It and See e AM atestam que é uma banda comprometida com o rock’n’roll, mas preocupada com a musicalidade em constantemente amadurecimento.

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