Sohn – Tremors (2014)

sohn tremors

Álbum de estreia traz um artista maduro quanto a suas pretensões musicais

por brunochair

Christopher Taylor (produtor e compositor) é nascido no Sul de Londres, Inglaterra. Mas, em 2010, resolveu adotar o nome artístico de Sohn, e ao mesmo tempo mudou-se de país. Foi morar em Viena, na Áustria, e desde então vem reinventando-se enquanto artista. O exílio enquanto artista, enquanto indivíduo. Um novo grupo social, novas referências artísticas. Durante o período de 2010 até o lançamento de Tremors, o artista lançou algumas músicas online, EP’s, mas o lançamento de fato de Sohn deu-se de fato neste ano de 2014. São onze músicas, ao total. Todas as músicas tem nomes simples, relacionados a fenômenos da natureza, sensações, abstrações: tempestade, tremores, luzes, lições, a roda. Em uma das críticas a respeito do álbum, temos o cantor discorrendo sobre suas pretensões: que ele soasse como uma caminhada no fim de uma noite, diante daquele clima frio e silêncio, na madrugada. O disco, segundo Sohn, foi gravado todo durante à noite.

Qual é o estilo de Sohn? Como é Tremors? Na primeira audição, não houve como escapar de uma comparação com o novo álbum solo do Thom Yorke, Tomorrow’s Modern Boxes. A música eletrônica, embora definição vaga e imprecisa, pode ser fato norteador de comparação entre os dois trabalhos dos artistas. Mas, no fim das contas, Thom Yorke pode nos ajudar a definir melhor a musicalidade de Sohn. Outro elemento que os aproxima é o eletrônico difuso, incomum. Os samplers e sintetizadores confundem, provocam, não delimitam. No entanto, tanto um como o outro trabalho são muito bem recebidos pelo público: o trabalho de Thom Yorke também é bastante palatável a qualquer ouvinte de primeira viagem. A diferença é que Sohn é mais pop. Em certos momentos, ele consegue aproximar-se do eletropop comercial. O seu trabalho também foi definido como pbr&b, estilo considerado um rhythm and blues contemporâneo. Outra diferenciação entre Sohn e Yorke é em relação ao vocal. Embora o timbre de voz de Sohn seja parecido com o de Yorke, parece que Sohn pretende que seu vocal sempre esteja à parte da música, enquanto o vocalista do Radiohead faz sua voz confundir-se ao experimento musical, como algo indissociável.

Com base nestas informações, é possível compreender (pelo menos um pouco) o estilo de música que Sohn pretendeu fazer, em seu Tremors. É um trabalho a um só tempo intimista e universal. Confissões e impressões que, segundo o artista, podem ser compartilhados por todos, que puderam passar pela mesma experiência. E, a partir da experiência, fica até mais simples compreender as visões musicais e perspectivas deste londrino exilado em Viena.

Músicas:

A primeira música, “Tempest”, inicia-se com um efeito de voz que nos dá a equivocada impressão de se tratar de um álbum daquele pop mais raso, como é o caso do Tokio Hotel. Aos poucos, Sohn vai dando as cartas e vai mostrando que… não, não é bem assim. Não é uma música genial, mas abre bem o álbum.

“The Wheel” é um misto de reflexão, concretude e abstração. E é mesmo. A ideia da natureza selvagem, do cíclico e do não duradouro estão na morte de alguém, na invenção da roda e na sequência de samplers que vem e vão.

“Artifice” tem uma pegada de eletropop comercial que as duas primeiras não tem. Fala sobre términos, mas a música tem um ritmo até gostoso, como se o término fosse bom. Como se o término fosse um artifício, um blefe. Ou a reconstrução. Será?

“Ransom Notes” é a música mais Thom Yorke do álbum. Só mesmo ouvindo para perceber as similaridades.

“Bloodflows” é aquela típica música de amor não correspondido. É um pouco brega, é um pouco comercial, mas acabou tornando-se uma das músicas de destaque do álbum, embora haja outras bem melhores.

Enfim, uma estreia interessante deste músico. O mais interessante de se observar é que, embora seja o primeiro álbum, já temos um artista com motivações musicais bastante definidas. Já possui um estilo próprio, embora as referências estejam evidentes – embora isso não seja culpa do Sohn, e sim de quem ouve, que procura estabelecer comparações. E não para desmerecê-lo, no caso.

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Comentários

    […] pouco minimalista, no caso do deadmau5. Até pode ser naturalista, quando pensamos no eletropop do Sohn. E, no caso de Chat Faker, podemos estabelecer com influência o soul e o […]

    […] para esperar que fosse, um eletro mais suave e moderninho como faz o Chet Faker, modernão como o Sohn, ou sofisticadíssimo e sincrético como o You’re Dead! do Flying […]

    Kwabs – Love + War (2015) | Escuta Essa!

    (18 de setembro de 2015 - 03:15)

    […] parece recluso a uma fórmula um tanto comercial. Faltou aprofundar e arriscar mais, como fizeram Sohn, Thom Yorke, Röyksopp ano passado. Para quem curte uma pop music mais “quadradinha”, […]

    Silva – Júpiter (2015) | Escuta Essa!

    (25 de novembro de 2015 - 01:32)

    […] as novidades que vem de fora: artistas como Frank Ocean, Night Beds, Chet Faker, The Weeknd, Sohn e Miguel são algumas das influências diretas para Silva, ou ao menos artistas que o brasileiro […]

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