Black Sabbath – 13 (2013)

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Não há músicas ruins em 13

Por Lucas Scaliza

O maior revival de 2013 foi, sem sombra de dúvida, a volta do Black Sabbath com álbum de inéditas, extensa turnê que percorreu boa parte do mundo (inclusive o Brasil e a América do Sul) e a formação quase original. Ozzy Osbourne nos vocais, Tony Iommi na guitarra, Geezer Butler no baixo. Apenas o baterista Bill Ward não embarcou, primeiro se referindo a desavenças contratuais acerca da reunião da banda. Mais tarde, afirmou que não conseguiria tocar como deveria no novo álbum. Disputas à parte, Ward foi substituído pelo competente Brad Wilk, baterista de pegada técnica e firme do Rage Against The Machine e Audioslave.

Apesar do nome, 13 é o 19º álbum de estúdio do Sabbath (incluindo todas as eras e formações), mas o que surpreende é a qualidade musical apresentada pelos vovozinhos do rock e do heavy metal. A princípio, o disco contava com oito músicas – três delas acima dos 7 minutos de duração e duas com mais de 8 minutos -, mas ao longo do ano surgiram mais quatro faixas bônus criadas ao longo das mesmas sessões de estúdio. E são todas faixas muito boas e que recuperam as características mais marcantes da banda: riffs arrastados, clima misterioso e gótico (como as letras escritas por Butler) e solos inspirados.

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Iommi não só se recuperou de um câncer como pôde em grande estilo lembrar porque é considerado o pai do riff de metal, aquele riff que soa pesado e que traz consigo uma carga energética sombria, um estilo que até vemos reproduzido e inspirando bandas tão diferentes quanto Queens of The Stone Age e Mastodon.

“God is dead” é um marco contemporâneo instantâneo da banda. Ozzy cantando que “Deus está morto” sobre um belo riff de Iommi e notas expressivas do baixo de Butler nos faz perceber como a banda parece entrosada e com química suficiente para confiar que novas e boas músicas do Sabbath ainda podem ser ouvidas.

Ao que parece, o interesse na banda de Birmingham só cresceu com o passar do tempo, mesmo com as idas e vindas do grupo. Ao ser lançado, 13 chegou ao topo das paradas britânicas, uma marca que o Black Sabbath não atingia desde Paranoid, lançado no longínquo 1970. Foi um sucesso até mesmo nos EUA, vendendo 155 mil cópias na primeira semana, sendo o primeiro disco do grupo a alcançar o topo do ranking da Billboard. Sucesso esse corroborado por diversos shows pelo país e uma bastante comentada performance no Lollapalooza Chicago 2013, “sede” do evento.

“End of the Beginning”, “God is dead” e “Loner” são um misto de rock vigoroso com rock arrastado e sombrio para nenhum fã de Sabbath se sentir deslocado. “Zeitgeist” é o que se chamaria de balada, com Brad Wilk trocando a bateria pela percussão e Iommi tocando violão e um belo solo de guitarra sem pressa, deixando a música fluir.

Não há músicas ruins em 13, nem entre aquelas que estão no disco “principal” e nem entre as que surgiram como bônus. Todas bem feitas e bem tocadas e que não ficam repetindo a fórmula verso-refrão-verso-refrão-solo-refrão. Há muito espaço para mudanças de andamento e dinâmica. É o que ocorre com “Age of reason” ou com a guinada que “Dear Father” sofre lá pela metade ou o aumento da dinâmica na parte final da ótima “Damaged soul”.

Originalmente, o álbum seria gravado em Los Angeles, mas os trabalhos acabaram ocorrendo na casa de Tony Iommi. A produção do veterano Rick Rubin e a mixagem das faixas valoriza todos os membros do Sabbath. Voz, guitarra, baixo e bateria estão nítidos e não competem por atenção. Não são só os riffs old school de Tony Iommi, mas a condução de Wilk e o baixo de Butler estão presentes o tempo todo e ajudam a carregar as músicas.

As faixas bônus “Methademic”, “Peace of Mind” e “Naivete in black” são tão divertidas e tão bem feitas quanto as outras. “Pariah” é uma das melhores dessa nova fase da banda, com seu riff dobrado por guitarra e baixo e refrão forte. Se há algo de acertado em 13 é a decisão de manter tudo um pouco mais cru e criar músicas que podem facilmente se resolver com apenas quatro músicos, sem precisar de nenhum extra, nenhum acréscimo de teclados e de músicos extras. Embora seja também uma volta ao stoner rock dos anos 70 com cara de metal, o resultado final de 13 é algo que resgata as melhores ideias e características do Sabbath, diferente de Redeemer of Souls (2014), novo disco do Judas Priest que soa como autoparódia, de tão cheio de fórmulas e clichês oitentistas.

Após o sucesso de vendas do disco e as boas recepções da crítica e do público, é de se esperar que o Black Sabbath volte a se reunir novamente para mais um trabalho. Agora que já temos plena convicção de que continuam em forma, podem até ousar mais no próximo trabalho. O importante é não perder o vigor.

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