Tokio Hotel – Kings Of Suburbia (2014)

Mais eletrônico que os anteriores, álbum peca por ser confuso e anacrônico

por brunochair

Após um hiato de cinco anos, a banda alemã Tokio Hotel lança Kings Of Suburbia neste mês de outubro, oficialmente programado para ser consumido pelo público interessado a partir do dia três. No entanto, a partir de ontem (trinta de setembro de 2014) fãs e grupos de discussão já estavam em polvorosa com arquivos e torrents mundo afora, já curtindo o novo trabalho do conjunto.

O que dizer deste novo álbum? Percebe-se que a diferença dele, em relação aos anteriores, é a presença gritante de elementos eletrônicos, consequentemente a ausência de guitarras e bateria analógica. Ou seja, algo que já era muito comum nas músicas na banda, que é a artificialidade musical, está cada vez mais aparente.

A “artificialidade” empregada no último parágrafo, não tem um propósito pejorativo, e sim o de demonstrar que a música parece ter sido criada em um laboratório, por robôs. Novamente: não trata-se de dizer que a música é boa ou ruim, mas sim uma constatação. A banda entra em estúdio e manipula as batidas, os samplers, o vocal – mais grave, mais agudo, distorcido. Tudo é meticulosamente analisado e observado, com a finalidade de obter um determinado resultado.

Agora, vamos à questão dos resultados. Diante da explicação sobre o adjetivo “artificial” para o trabalho de Kings Of Suburbia, o que dizer da qualidade do trabalho? É neste ponto que o novo trabalho do Tokio Hotel falha: a banda, ao encampar de vez a ideia da música eletrônica, parece não estar muito à vontade com o que produz.

O exemplo a ser dado está logo no início do álbum. “Feel It All” é uma música totalmente anacrônica. Ela usa um sample muito manjado de música eletrônica, parece algo produzido no começo dos anos 2000. Não tem inovação alguma. Apresenta o já visto, aquilo que corriqueiramente toca aos montes nas rádios. Não supera nem o já criado, neste sentido. Portanto, é mais do mesmo em 2014 de algo que já existe há mais de uma década.

“Stormy Weather” segue a mesma tendência da primeira. Parece uma música de new metal com tempero eletrônico. E, por conta dessa familiaridade com qualquer coisa que exista, também não é agradável aos ouvidos. Na realidade, talvez essa miscelânea de elementos musicais seja o que desagrade, pois ambas as músicas passam a ideia de “colagem”. Se realizados para provocar confusão ou perplexidade, vá lá. Mas, longe disso, a banda procura alcançar é o grande público, e não fazer algo inovador. Por isso, a estranheza que o trabalho provoca: era pra ser artificialmente bom, no fim soa como uma projeção de intermináveis ruídos.

“Run, Run, Run” tem um teclado que pode lembrar Evanescence, Radiohead ou My Chemical Romance. Por ter poucos elementos, dá aquela sensação de respiro, diante de tanta confusão (vazia) sonora. É uma música monotemática, que segue uma linha melódica e por isso é possível de ouvir.

“Love Who Loves You Back” é a melhor música do álbum. Ela até destoa do restante do trabalho, que soa na linha do moderno/confuso. Tem uma pegada oitentista, é tão artificial quanto as outras de Kings Of Suburbia, mas também tem uma linha melódica compreensível.

“Covered In Gold” soa igual às duas primeiras músicas. Totalmente perdida em algum ponto dos anos 2000, lugar este que não existe mais e, quando existiu, não era bem por aí. “Girl Got a Gun” brinca com a aliteração de “Gun” e “Ban” durante a canção inteira. Essa música lembrou a “Down” do The Kooks. Resumindo: ambas são péssimas.

“Kings Of Suburbia” é uma música comum. Não chega a ser chata, os samplers lembram algumas coisas produzidas pelo Kasabian este ano. Não decepciona, mas também não empolga. O mesmo eu sinto com “We Found Us”, “Never Let You Down”, “Lourder Than Love”, “The Heart Get No Sleep”: todas elas foram feitas com o intuito de tocar em baladas (a popular pixxxxtinha) mas nenhuma delas empolgará tanto quanto empolga artistas que já estão no ramo.

Então, no fim das contas Tokio Hotel manterá os serviços prestados para o seu público fiel, e continuará tocando em rádios. Ainda que haja material pop este ano que esteja muito melhor embalado (Maroon 5, Foster The People, Bombay Bicycle Club) e álbuns de música eletrônica com propostas distintas e interessantes (DeadMau5, Zola Jesus, Lorde, Lana Del Rey) o Tokio Hotel pode conseguir o seu espaço, em razão da própria imagem que a banda já possui. No entanto, necessário é a banda procurar uma identidade, confessadamente perdida neste novo álbum. A acompanhar.

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Comentários

    […] garotada que tá aí louca pra tocar em rádio e não consegue emplacar tantas músicas boas, como Tokio Hotel, Sia, Kyla La […]

    Jamille

    (8 de outubro de 2014 - 02:59)

    Notoriamente quem escreveu esse texto é um hater de Tokio Hotel. Acho que está na hora de fechar esse blog. Críticas nada plausíveis. Não há um estudo profundo das músicas. Esse blog é totalmente amador e não deve ser levado em conta.

      Lucas Scaliza

      (8 de outubro de 2014 - 11:55)

      Nos reservamos o direito de preservar a nossa opinião. E não há espaço para haters. As críticas são plausíveis dentro do contexto musical. Não é porque um fã da banda não gostou de uma opinião contrária que algo não seja plausível.

      brunochair

      (8 de outubro de 2014 - 21:08)

      Oi Jamille. Como o Lucas disse, não há espaço para o ódio neste blog: ele já está disseminado pelo mundo. A intenção é apenas analisar aquilo que escutamos, resenhando os lançamentos. Infelizmente, achei o trabalho novo do Tokio Hotel muito fraco, e me reservo no direito de criticá-lo. Se você realmente é fã da banda, espero que faça uma auto-crítica sincera sobre o novo trabalho deles, e perceberá que não é tão bom assim. Abraços,

    Sohn – Tremors (2014) | Escuta Essa!

    (1 de novembro de 2014 - 17:27)

    […] nos dá a equivocada impressão de se tratar de um álbum daquele pop mais raso, como é o caso do Tokio Hotel. Aos poucos, Sohn vai dando as cartas e vai mostrando que… não, não é bem assim. Não é […]

    Luna

    (15 de dezembro de 2014 - 21:22)

    Concordo totalmente com a crítica, na verdade, em minha opinião, a única coisa faz essa banda audível (mesmo no estilo anterior) é a voz do vocalista q é linda.

    Jotokita

    (30 de maio de 2015 - 17:10)

    Sou fã do Tokio Hotel, e não curti muito esse álbum também! Meio fraco. Cadê a guitarra e todo aquele som bem característico da banda?
    Mas estamos aí, uma vez fã, sempre fã!
    Curti a matéria… cada um tem a sua opinião! ^^

      brunochair

      (30 de maio de 2015 - 18:52)

      Jotokita, se todo fã fosse igual você, o mundo seria um lugar melhor! rs.

      É preciso analisar com um certo distanciamento os trabalhos das bandas que gostamos.

      Felizmente, você fez isso.

      Obrigado! =*

    Dan

    (16 de julho de 2015 - 02:42)

    Eu não sou fã da banda. Contudo, depois de ler a matéria, pesquisei sobre o novo álbum.
    A banda ficou grande tempo sem lançar nada e quando lançou foi algo bem diferente do já fazia. Gostei muito de Love who loves you back e também acho Run run run uma poesia cantada. Apesar de concordar com o exagero eletrônico empregado nesse álbum eu acredito que o decorrer da matéria expressou opiniões um tanto quanto particulares, perdendo o caráter crítico da avaliação, parecendo mais uma resenha praticada por uma pessoa que realmente possui aversão a essa banda. A crítica deveria ser mais imparcial.

      Lucas Scaliza

      (16 de julho de 2015 - 13:07)

      Apenas uma correção, Dan: não existe crítica imparcial. A imparcialidade se busca na notícia, não na análise dos conteúdos.

      brunochair

      (16 de julho de 2015 - 22:01)

      Dan, obrigado pelo comentário.

      Olha, se eu realmente expusesse tudo o que achei do disco, a resenha teria sido muito mais pesada. Simplesmente, nesse um ano e pouco que temos de blog, este disco é o pior que ouvi da safra.

      Quanto ao distanciamento, ele é bem complicado. Mas há muitos casos em que não gosto do trabalho de determinado artista, mas quando vou analisar o repertório de um disco e percebo (principalmente) coesão e inovação, não deixo de fazer uma boa avaliação. Dê uma olhada nas demais resenhas que já escrevi, e perceberá isso.

      Um abraço!

    […] também críticas bastante contundentes em outros estilos (fãs do Tokio Hotel e Madonna não me fazem mentir) mas ficou uma impressão (totalmente equivocada, diga-se de […]

    Marx

    (24 de dezembro de 2017 - 14:23)

    Eu gostei muito da analise, só faltou falar da voz do Bill que não está como antes.

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