Meshuggah – The Ophidian Trek (2014)

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Disco ao vivo comemora 25 anos da banda sueca de ritmos complicados

Por Lucas Scaliza

A banda sueca Meshuggah é desde a década passada um dos expoentes dentro do metal extremo em termos de inovação sem perder o peso, o vocal gutural e uma atitude extremamente agressiva. Não é a toa que sua música é considerada uma espécie de death metal com metal progressivo: a mistura de peso com mudanças rítmicas e misturas de diversos compassos tornaram o som da banda mais diversificado e bem mais complexo. Acompanhar a contagem rítmica deles às vezes pode ser um desafio para o ouvinte e um trabalho matemático para seus músicos.

The Ophidian Trek é um registro ao vivo da banda lançado em DVD/Blue-Ray e CD duplo para comemorar os 25 anos de metal do grupo. É uma paulada atrás da outra passando por quase toda a carreira. Apenas músicas dos dois primeiros discos, Contradictions Collapse (1991) e Destroy Erase Improve (1995), não estão no disco.

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Grande parte da graça do Meshuggah está no ritmo de suas músicas. Tudo é muito preciso e arrastado. Não há arranjos coloridos em suas músicas e só lendo as letras para saber o que o vocalista Jens Kidman está dizendo. Aliás, a banda que utilizava uma guitarra de 7 cordas para soar densa utiliza, desde 2005, guitarras de 8 cordas da Ibanez com afinação mais baixa que o padrão. O nível de grave dos instrumentos ficou tão alto que chegam a uma sonoridade de baixo. E este disco mostra como tudo isso soa ao vivo.

Embora o primeiro disco tenha bons momentos, como “obZen”, “Lethargica” e a acelerada “The hurt that finds you first”, é o segundo disco que mostra um Meshuggah digno de todos os motivos de seu renome no mundo do heavy metal. “Bleed”, “Demiurge”, “New millenium cyanide Christ” e os 10 minutos da incrível “Dancers to a discordant system” estão irrepreensíveis e vigorosas. Ritmos polimétricos, bons solos (que nunca soam apressados, mas sim lentos e perturbantes), e muita agressividade na interpretação vocal de Kidman. Como é de praxe em bandas com ritmos complexos, o trabalho de condução do baterista Tomas Haake salta aos olhos em faixas como “Combustion” e na já citada “The hurt that finds you first”.

Quem é fã de álbuns ao vivo geralmente gosta não apenas de apreciar músicas sendo executadas na hora, tentando chegar o mais próximo possível de suas versões de estúdio ou sendo recriadas como novas propostas, mas também gostam de sentir como a energia do público incrementa esse registro. Embora tenha bastante energia, The Ophidian Trek é muito estéril em termos de participação do público. É possível ouvir a plateia no final de algumas faixas e na introdução de outras, mas faltou um microfone direcionado para o público. A impressão de quem assiste ao DVD/Blu-ray pode ser diferente, mas o registro em CD soa bastante decepcionante neste aspecto.

É uma pena, pois The Ophidian Trek mostra a passagem do Meshuggah por shows importantes de sua última turnê nos Estados Unidos e Europa, como o festival alemão Wacken Open Air 2013. Tirando essa falta – que pelo menos para mim tira um pouco do vigor de sentir a banda ao vivo – o registro deve agradar fãs antigos e recentes do Meshuggah e do metal extremo em geral.

escut652_wp Autor

Comentários

    João

    (7 de novembro de 2014 - 12:29)

    Ótimo show.

    TesseracT – Polaris (2015) | Escuta Essa!

    (18 de setembro de 2015 - 00:38)

    […] Acle Kahney que ficaram conhecidos como djent, muito usado por bandas mais extremas, como o Meshuggah. O djent virou até um estilo de metal, embora exista quem defenda que djent é uma técnica, não […]

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