Joe Bonamassa – Different Shades of Blue (2014)

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É o 1º disco totalmente autoral do guitarrista, mas vem carregado de familiaridades

Por Lucas Scaliza

Se você já ouviu bastante música na vida, se voltou para conhecer o country rock dos anos 70 e reparou no blues rock que vem dos Estados Unidos desde a década de 1950 – e foi retroalimentado pelo rock com base no blues da Inglaterra –, vai achar Different Shades of Blue bastante palatável e familiar.

Não quero dizer que o guitarrista e compositor Joe Bonamassa não seja original. Ocorre que seu blues de Chicago em seu novo disco não tenta reinventar a roda e nem trás grandes influências de fora do blues. É um blues rock competente, bonito, bem feito e com o bom gosto característico de Bonamassa. Nomes como Eric Clapton, Jeff Beck e Rory Gallagher o influenciaram muito cedo. Não é a toa que ele tem sido uma referência importante para guitarristas do mundo inteiro justamente por causa de sua devoção ao blues e apresentações ao vivo cheias de energia.

Em 14 anos de carreira solo, Bonamassa tem 11 discos de estúdio e 11registros ao vivo oficiais (quatro deles lançados em sequência este ano, chamados Tour de Force). Different Shades of Blue, que acaba de ser lançado, é mais um episódio de tributo ao blues. Bonamassa vai da virtuose em “Oh Beautiful!” e “Heartache follows where I go” ao romântico de “So, what do I do”. E tem ainda a festiva “Love ain’t a love song” e a dupla “Living in the moon” e “I gave up everything for you, ‘cept the blues”, que usam uma das levadas mais tradicionais e características do blues.

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Se você ouve o bom e velho Buddy Guy, por exemplo, notará que muito do trabalho novo de Bonamassa é muito parecido em tom, energia e clima com o disco duplo Rhythm and Blues, que Buddy Guy lançou em 2013 e mostrou, com a ajuda de alguns convidados, como continua afiado na guitarra e no blues. Parte do solo de “Oh Beautiful!”, por exemplo, lembra muito o solo final épico de Dan Auerbach em “Weight of Love”, música que abre Turn Blue, do The Black Keys e que saiu esse ano também. Aliás, a faixa título “Different Shades of Blue” tem o pulso e o jeitão de “Hotel California”, clássico do The Eagles que fez a banda estourar no mundo todo.

Bonamassa diz que este é seu primeiro disco completamente autoral: ou seja, tudo nele foi criado a partir do zero. Bem, nesse caso, fica claro que o “zero” aí é uma bagagem enorme de macetes, ritmos e licks mais do que testados e aprovados no blues rock. Um ouvinte experimentado em blues e em Buddy Guy deverá gostar de Different Shades of Blue, mas verá muita familiaridade. Embora seja um disco ótimo para se ouvir em qualquer ocasião, não evoca nenhuma inventividade que outros guitarristas de blues – de Joe Perry até Jimmy Page, passando por David Gilmour, sem falar naqueles especialistas em blues mesmo – já não tenham tentado ou até mesmo ultrapassado.

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A técnica de Joe Bonamassa é irretocável. Ótima escolhas de frases, de licks e de notas para finalizar cada trecho de solo. Seu vocal também se mantém ótimo para o estilo e ele sabe cantar sem precisar tentar impressionar. A banda que o acompanha é excelente. Destaque para o pianista e para o baterista. O primeiro consegue acompanhar seus riffs e complementar o tom blueseado de cada canção com jeitinho, ajudando a tirar o foco da guitarra o tempo todo. Já o segundo faz conduções diferentes, fugindo do óbvio, que são responsáveis por grande parte do que soa interessante no álbum.

Para quem gosta de blues rock de Chicago principalmente, o 11º trabalho de Joe Bonamassa e primeiro disco totalmente autoral poderá ser um prato cheio. Quem espera uma abordagem diferente a um estilo que está se desenvolvendo há pelo menos 100 anos, deverá gostar mas achar que nada está muito diferente do que já se ouviu por aí.

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Comentários

    […] Não é um guitarrista tão pop quanto Joe Satriani, Steve Vai, John Petrucci (do Dream Theater), Joe Bonamassa ou Yngwei Malmsteen, mas é referência dos melhores que estão atividade e ajudam a encontrar […]

    […] lugar da voz, mas é constante esse palavreado não optar por saídas fáceis, como geralmente faz Joe Bonamassa e Joe Satriani. Nem sempre teremos frases que partem de uma nota e terminam onde seria o mais […]

    […] seus licks, seus solos, sua dinâmica e seu fraseado elegante. Jimmy Page, Jeff Beck, Eric Clapton, Joe Bonamassa, Steve Ray Vaughan, John Mayer e até Jimmi Hendrix estão no time de influenciados por Guy. É o […]

    […] apenas cinco dias de gravação no mesmo estúdio de Nashville onde gravou o antecessor, Different Shades Of Blue (2014). Ao seu lado, na produção, estava novamente o experiente Kevin Shirley (produtor do Iron […]

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