The Killers – Hot Fuss (2004)

Álbum de estreia do The Killers faz 10 anos, mas soa tão inovador quanto na época

por brunochair

Começo a resenha fazendo um mea culpa: confesso que não ouvi Hot Fuss na época. Ouvia bandas contemporâneas do Killers, como o Franz Ferdinand, Strokes, Kings of Leon, The Hives, The Vines, Kaiser Chiefs. Era um pouco menos eclético na época. Considerava o Killers uma banda de pop, simplesmente. Os singles, todos radiofônicos e, por sua vez, pegajosos, me desmotivaram a ouvir o álbum da banda na época. Lá pelos anos de 2010 é que comecei a ouvir a discografia dos caras. Neste momento, percebi que perdi bastante tempo: Hot Fuss era muito mais que duas ou três músicas de sucesso.

O álbum de estreia da banda é, sim, repleta de sucessos. Estes sucessos já demonstram a grande qualidade que a banda possuía: uma diversidade de elementos eletrônicos e analógicos, um sem número de referências e um vocalista “de presença”. The Killers, de cara, foi comparado a algumas bandas dos anos 80, como o Depeche Mode, Duran Duran e New Order. Alguns críticos da época fizeram a ponte entre o Killers, o U2 e o The Cure. Ou seja, todas as bandas são da década de 80, mas bem distintas entre si.

Além dessa pegada oitentista marcante, o que fez a banda ser considerada indie rock era a guitarra e baixos bastante marcantes, mesmo que simples (diga-se de passagem, este que vos resenha sabe bem pouco de baixo, mas até tira algumas músicas do Killers no instrumento). Talvez o elemento oitentista fique exatamente nos teclados e nos samplers utilizados. Digamos que este álbum tornou-se referência musical por ser “um passo além” no que se refere a essa mescla entre o rock’n roll e os elementos eletrônicos. Ele serve como um disco de rock, mas também coloca qualquer um facilmente pra dançar.

Portanto, aqui já está respondida à pergunta se este álbum passa no teste do tempo: passa, e com louvor. Mesmo que seja um disco ainda novo, que possua apenas 10 aninhos de existência, se fosse Hot Fuss lançado hoje teria a mesma potencialidade e aceitação contemporânea. The Killers tornou-se uma referência para bandas mais novas. Vamos citar algumas bandas que já resenhamos no blog neste ano, que tomam o Killers como forte influência: Future Islands, Bombay Bicycle Club e Foster The People. The Killers era mais uma banda entre várias que estavam aparecendo no cenário indie rock, e é uma das sobreviventes da época. Talvez, uma das mais criativas do gênero.

Agora, vamos a um faixa a faixa:

1. “Jenny Was a Friend of Mine”: A música fala sobre um possível assassinato. Parece bem aquelas desculpas de alguém que tem culpa no cartório, “ela era apenas uma amiga!” Nessa música já fica evidente a presença dos sintetizadores trabalhando junto com a guitarra, e uma linha de baixo no contraponto de tudo isso. Claramente, é uma música pulsante e de chegada.

2. “Mr. Brightside”: A segunda música que mais tocou do álbum nas rádios. Uma música menos ritmada que a anterior, em que Brendan Flowers narra uma história sem tomar fôlego em momento algum. O clipe dela é muito legal, tem um quê de voyeurismo, de freak show. Luxúria, talvez?

3. “Smile Like You Mean It”: Aqui, creio ser necessário abrir um parêntese. O primeiro álbum que ouvi do Killers foi o Sam’s Town, e o Hot Fuss até então era o álbum sem graça e pop da banda. Foi a partir dessa música que eu notei haver repertório e criatividade no álbum de estreia da banda. A música tem uma dose lírica muito grande, que também pode ser notada em outras faixas, e até então estava ausente nas duas primeiras músicas.

4. “Somebody Told Me”: Precisa falar alguma coisa sobre esta música? Impossível esquecer dela. Uma das músicas que mais tocou no ano de 2004, e até hoje ela ressoa nas mentes e ouvidos das pessoas. Acredito que você imagine do que estou falando!

5. “All these things I´ve done”: Parafraseando o Boça do Hermes & Renato, “Puta coisa linda, meooo”. Essa é uma das músicas que não fizeram tanto sucesso, mas tem uma letra muito bacana (reflexiva) e uma pegada mais intimista. Está entre as três canções que mais gosto desse álbum. Até hoje é comum a banda terminar as apresentações ao vivo com essa música, entoando o seguinte refrão: “I got soul, but I’m not a soldier”

6.  “Andy, you´re a star”: Talvez a mais fraca do álbum. Mas, ok.

7. “On Top”: É a música mais elaborada de Hot Fuss musicalmente falando, pois ela tem uma introdução com um potente e marcante sintetizador. A bateria entra, a guitarra e o baixo entram, a música ganha uma ponte e vai ganhando força e força, chega no refrão no pico e, enfim, desce para algo parecido com a intro. Daí tem um solo muito bem feito, e parte para o refrão de novo. Das poucas vezes que o sintetizador aparece sozinho, e faz a base da música por algum tempo. Pra quem estuda música, gosta de rock, essa música deve ser estudada e ouvida com atenção. É muito boa, mesmo!

8. “Change Your Mind”: É a música mais bonita do álbum, na minha opinião. Ela é rápida como os dias narrados por Brendan Flowers, e no fim essa coisa de mudar a opinião é a minha própria relação com o que é produzido pela banda. Sim, mudei de opinião. Hoje curto muito o Killers, levo a sério o que os caras produzem e aguardo com a ansiedade os novos trabalhos.

9. “Believe Me Natalie”: Mais uma música saudosista e lírica. Outra música muito boa do álbum, embora as minhas preferidas sejam “All these things I´ve done”, “On Top” e “Change Your Mind”.

10. “Midnight Show”: Depois de várias músicas introspectivas, uma canção que retorna um ritmo mais “festivo”.

11. “Everything Will Be Allright”: Não é lá essas coisas, mas fecha o álbum que é ótimo.

E vocês acharam que iriam ficar sem “Somebody Told Me”? Tolinhos…

brunochair Autor

Funcionário público, ex-jogador de ping pong amador, curte literatura, música, fotografia, esportes, cervejas artesanais e bons filmes. Meio brasileiro e meio uruguaio, acha que a cidade perfeita é uma mistura de São Paulo, Rio de Janeiro e Montevidéu.

Comentários

    […] indie pop bonitinho do The Killers não é suficiente para seu vocalista, Brandon Flowers. Não contente com a inclusão de baladas […]

    […] mesmo com suas batidas firmes e ritmadas. A voz e a mixagem dessa faixa é de Brandon Flowers, do The Killers, um cara que está a vontade em qualquer sonoridade oitentista, como atesta tão bem o seu disco […]

    […] Rhapsody” com a cantora lírica Montserrat Cabalet) até Muse, passando por Brandon Flowers, do The Killers, e até o The Darkness. E vai influenciar muito mais gente […]

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