Oasis – Definitely Maybe (1994) faz 20 anos

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Por Lucas Scaliza

O que é?

Definitely Maybe é o primeiro disco do Oasis, lançado em agosto de 1994. O álbum ganhou uma edição comemorativa em 2014 com três discos cheios de demos, faixas ao vivo e algumas raridades.

Histórias e curiosidades

Embora o Oasis tenha explodido para o mundo todo com o segundo disco por conta da balada “Wonderwall”, Definitely Maybe sempre foi o confesso disco preferido de Noel Gallagher, guitarrista e principal compositor do grupo. Aliás, TODAS as músicas do primeiro disco do Oasis foram compostas por Noel. Mas é também o preferido de Bonehead, ex-guitarrista e membro fundador do grupo. “Liricamente, acho que [o disco] capturou a imaginação de todo mundo, e são canções que só podem ser escritas uma vez sobre ser uma estrela do rock e viver uma vida diferente”, ele disse recentemente. “Pode não ser o nosso disco mais musical, mas acho mesmo que é nosso melhor trabalho”.

Definitely Maybe foi um dos responsáveis por lançar o britpop ao mesmo tempo em que o rock inglês se renovava com bandas como Blur, Suede e Pulp. O disco foi a estreia para uma banda inglesa que vendeu mais rápido (até aquele momento) e chegou a 20 milhões de cópias no mundo todo desde o lançamento.

Segundo conta Bonehead, a banda trabalhou com o produtor Dave Batchelor a princípio, um cara que fazia o Oasis tocar diversas vezes a mesma música e o mesmo trecho até sair do jeito que achava bom, ao custo de 800 libras esterlinas por dia. Mas quando ouviam as gravações, não sentiam que era aquela sonoridade que procuravam ou mesmo a que ouviam na sala de gravação. Então assinaram em 1993 com a Creation Records e foram gravar em um estúdio da Cornualha, sudoeste da Inglarerra, com Mark Coyle coproduzindo ao lado de Noel. E deu certo!

Definitely Maybe é o disco mais guitarreiro e cru do Oasis. Quem conhece a banda apenas das baladas radiofônicas (“Wonderwall”, “Stop crying your heart out”), pode até estranhar a agressividade do quinteto logo na estreia. Owen Morris, que fez todo o trabalho de mixagem e parte da produção, é responsável também por muitas dessas características. “Queria que o som fosse o mais pesado possível, pois estava frustrado com as máquinas e a música dance e queria guitarras altas. E por sorte, eles fizeram isso”, ele diz.

Owen Morris começou a trabalhar com o grupo na finalização do disco. “Columbia” e “Rock’n’Roll Star” não estavam terminadas. Ele conta que, quando ouviu o que estava pronto, viu que o resultado era o trabalho de iniciantes em produção, gente que não estava calejada ou conhecia certas técnicas que melhoram o trabalho. Ele gravou os backing vocals de Noel com facilidade e depois os vocais principais de Liam Gallagher. Na hora de trabalhar no material, disse para Liam “fuck off” para que pudesse trabalhar em paz. Noel voltou e perguntou se ele tinha mesmo mandado o irmão dele se foder. Morris confirmou e Noel achou que o produtor tinha feito o certo.

Owen Morris também logo sacou que o baterista Tony McCarrol era um instrumentista bem básico, mas notou que sua precisão de tempo era imensa. Usou alguns truques de edição dos produtores Phil Spector e Toni Visconti – que Morris achou em uma revista uma semana antes de começar a trabalhar com o Oasis – e fez a bateria e o baixo da banda soarem melhor, com mais groove e maior pegada. Em “Columbia”, por exemplo, o compasso é 4/4, mas graças a um truque com tape delay a música pulsa mais rápido, como um compasso 8/8. (Alan White substituiria McCarrol nas baquetas já no ano seguinte).

Por fim, Morris acha que o mix de “Rock’n’Roll Star” e principalmente o de “Columbia” são os melhores que já fez na vida. O trabalhou foi tão bem que ele acabou trabalhando em todas as outras faixas do disco. Morris também cortou pela metade o solo de Noel em “Live Forever”. Noel ficou puto e pediu para não cortar na versão final da faixa. Morris obedeceu.

Músicas e destaques

“Rock’n’Roll Star” – Uma introdução forte e barulhenta para uma banda britânica.

“Live Forever” – A música é simples, não tem mais do que quatro acordes, mas tem ritmo e um refrão grudento, um solo sem muitas frescuras e que funciona muito bem.

“Columbia” – A faixa mais bem gravada do disco. Pulsante e guitarreira.

“Supersonic” – Ouça com atenção e preste atenção em todos os detalhes da guitarra de Noel. Enquanto a guitarra de Bonehead mantém o ritmo, Noel cria diversos fills e riffs.

“Slide Away” – Uma música que adianta o potencial melódico que o Oasis comprovaria nos álbuns posteriores, mas suja de distorção.

Passa no teste do tempo?

Sim. Definetly Maybe, ao lado de Be Here Now (1997) e (What’s The Story) Morning Glory? (1995), faz parte de uma trinca de discos incrível para o começo de uma banda. A falta de experiência e de dinheiro, bastante comum em discos debutantes, foi compensada pela energia do quinteto e alguns elementos que salvaram sempre o Oasis vezes depois: o bom gosto de Noel para solos, riffs e harmonias e a voz característica de Liam. Nunca foram uma banda técnica, de músicas superelaboradas, mas sabiam colocar as coisas em seus devidos lugares, sem exageros. Em Definitely Maybe há diversão, algo que foi se perdendo a partir de Standing on the Shoulder of Giants (2000).

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Lucas Scaliza Autor

Jornalista e ariano, joga truco e tarô. Nunca teve amnésia alcoólica. Tem vários discos mas não tem vitrola. É host do Escuta Essa Podcast e ouve tanta música tão alto que é capaz de ficar surdo um dia.

Comentários

    Pedro Souza

    (22 de agosto de 2014 - 15:40)

    Wonderwall é a última música do 2° disco (What’s the Story Morning Glory?) e não do 3° disco…

      Lucas Scaliza

      (22 de agosto de 2014 - 16:55)

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