Sia – 1000 Forms Of Fear (2014)

Se começar a tocar na rádio da sua cidade, não foi por falta de aviso

Por brunochair

Na sua cidade, seguramente há uma rádio em que tocam os sucessos pop do momento. Não sou de ouvir muita rádio, então os nomes que me vem à cabeça no momento são Jovem Pan e Transamérica. Aqui em Bauru, cidade onde resido, temos a 94 e a 96 FM. Só toca música bacaninha e que está arrepiando na lista da Bilboard.

Músicas pop é o que não faltam em 1000 Forms of Fear, da cantora australiana Sia. O álbum foi lançado recentemente (julho de 2014) pela RCA Records. As canções são exclusivamente e extremamente produzidas para atingir o gosto médio, o Pop mais palatável possível. Atende ao gosto dos que passam ouvidos rápidos pela rádio, os que mantém ouvidos dispersos e atentos pela programação inteira da tarde, além do pessoal da academia que gosta de ouvir uma musiquinha mais descolada enquanto malha.

Não é uma crítica dizer que o álbum é Pop. Este blog já resenhou muitos artistas que transitam por essa esfera musical, podendo aqui citar, entre outros exemplos, Kelis, Jenny Lewis, Lily Allen, Foster the People, . No entanto, apesar de todos estes artistas serem do Pop, o que os une é a diversidade da produção. Mesmo dentro do Pop, criaram o diferente. Arriscaram. Incrementaram.

É isso que falta ao álbum da Sia. A primeira música, “Chandelier”, é aquela típica música de trabalho. Vai estourar (se já não estourou) nas rádios. Tem um clipe interessante, que você vê em seguida:

Ok, a Sia já conseguiu garantir a música de trabalho. Agora vamos variar as músicas? Não. Aí a Sia continua monotemática. Mesmos elementos eletrônicos, mesmos timbres e voz e falsetes. Difícil sacar se as faixas mudaram, tamanha a similaridade. E, partindo deste pressuposto, o disco fica entediante, chato de ouvir.

Talvez 1000 Forms of Fear funcione mesmo ouvindo de forma fragmentada, a partir dos singles. Também não podemos ser injustos com a cantora: ela sempre teve essa pegada pop, não dá pra se esperar um trabalho tão diferente assim. Mais diversificado, talvez?

Entre as canções do disco que são interessantes: além da “Chandelier”, uma que foge do senso comum que paira sobre o trabalho está a música “Hostage”. A música tem uma pegada meio infantil, que ao conferir a letra pode-se perceber que trata-se de uma visão meio adolescente do amor, do tipo “nossa, estou apaixonada pelo cara e ele me faz de gato e sapato”.

Basicamente, 1000 Forms of Fear é isso: pop monotemático.

Se você ligar a rádio e começar a tocar alguma música dela, não foi por falta de aviso.

brunochair Autor

Funcionário público, ex-jogador de ping pong amador, curte literatura, música, fotografia, esportes, cervejas artesanais e bons filmes. Meio brasileiro e meio uruguaio, acha que a cidade perfeita é uma mistura de São Paulo, Rio de Janeiro e Montevidéu.

Comentários

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    (7 de setembro de 2014 - 15:44)

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    […] tá aí louca pra tocar em rádio e não consegue emplacar tantas músicas boas, como Tokio Hotel, Sia, Kyla La […]

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    (1 de fevereiro de 2016 - 19:19)

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