Wovenhand – Refractory Obdurate (2014)

Uma colcha de retalhos sonora acrescida a motivações/letras religiosas

Por brunochair

Álbum que tem ganhado boas críticas e destaque no cenário musical norte-americano, Refractory Obdurate, da banda Wovenhand, é uma miscelânea de percepções musicais. Dentro deste mesmo álbum cabem comparações ao folk-rock, ao alt-country, ao hardcore e também ao pós-punk. Essas alterações de estilo acontecem dentro de uma própria música.

Portanto, dificilmente classificar a banda a partir de tags. O som da banda é plural. A capa do álbum é uma colcha de retalhos, e no fim das contas serve de metáfora para tudo o que tornou-se o Wovenhand. Os integrantes da banda são provenientes de outras, sendo a mais importante referência a banda do vocalista David Eugene Edwards, a 16 Horsepower.

Outra característica interessante são as letras: o cantor David Eugene Edwards assina todas elas, todas com referências abertas ao cristianismo. Existe a “Good Shepherd” (bom pastor), “Salome”, “King David”. Todas elas são criadas a partir da leitura que David faz das escrituras cristãs.

Dado as características da banda, de elaborar letras místicas e religiosas a partir de uma sonoridade tão complexa, faz com que eles não alcancem um público tão extenso no cenário musical norte-americano. No entanto, é notório observar os lampejos criativos em músicas como “Corsicana Clip” (aquela ali, de cima), “Masonic Youth” (que ganha uma acelerada fantástica ao fim), “Hiss” e “King David”, o que fez a banda ganhar destaque.

Curiosidade – Impossível não comparar a intenção do Wovenhand, em criar músicas com cunho religioso, ao trabalho executado por Neal Morse, que há tempos produz um neo rock progressivo a partir de canções evangélicas.

Observação banal – A voz de David Eugene Edwards não lembra, em alguns momentos, a de Dinho Ouro Preto?

Logo abaixo, o álbum inteiro para audição. Vale a pena conhecer:

brunochair Autor

Funcionário público, ex-jogador de ping pong amador, curte literatura, música, fotografia, esportes, cervejas artesanais e bons filmes. Meio brasileiro e meio uruguaio, acha que a cidade perfeita é uma mistura de São Paulo, Rio de Janeiro e Montevidéu.

Comentários

    […] principal cantor da banda, mais narrava do que cantava as letras, uma pegada parecida com a do Wovenhand ou Nick Cave. Por baixo da voz, o som da banda era sempre bem feito, cheios de camadas, só que […]

    […] Para dar corpo ao projeto paralelo Me And That Man, Nergal invocou o poeta parte britânico, parte polonês John Porter, que divide com ele as funções de cantor e guitarrista. Todas as canções de Songs Of Love And Death baseiam-se em acordes simples e levadas bem manjadas, porém muito funcionais dentro da proposta bluseira, country e folk da dupla. E não espere encontrar uma cópia de Mark Lanegan, mas sim uma mistura de Johnny Cash com Nick Cave, Leonard Cohen e Wovenhand. […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.