Tom Petty & The Heartbreakers – Hypnotic Eye (2014)

hypnoticeyeTom Petty sempre soube fazer rock e não erra a mão

Por Lucas Scaliza

Lá se vão quase 40 anos de música nas costas e nas cordas de guitarra e violão de Tom Petty e sua banda, os incrivelmente musicais The Heartbreakers. É um tempo longo demais que geralmente faz sua música mudar em algum ponto. E quando tudo parece ter sido feito dentro de seu estilo rock, blues e folk, ou você acrescenta novos elementos e parte para uma proposta completamente nova – como sempre fazem Radiohead, Damon Albarn, Opeth, entre tantos outros – ou retorna às origens, fazendo aquele som característico de seu passado. Bem, Tom Petty & The Heartbreakers dicidiram pela segunda alternativa e mantiveram-se fiéis às raízes.

O compositor de “Free Fallin‘”, “Mary Jane’s last dance” e “Into the great wide open” e sua banda entregam um disco bom. Sem momentos brilhantes e sem pretensões, mas também sem erros, sem passos em falso e com algumas boas ideias. É o bom e velho rock clássico permeado por ótimos riffs de guitarra. Tudo simples, como manda o estilo. Despojado de afetação, Hypnotic Eye funciona em qualquer contexto, seja como banda de 2014 ou da década de 1970.

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A mixagem do disco é excelente. Todos os instrumentos estão nítidos. Mesmo quando há duas guitarras sendo tocadas ao mesmo tempo de forma bastante barulhenta, como o solo final de “U get me high”, dá para ouvir a linha de baixo com perfeição.

Os melhores momentos de Hypnotic Eye é “Burnt out town” e seu blues-rock clássico, com direito a solo de piano, harmônica e guitarra. Uma dessas canções que você mal pode esperar para ver ao vivo. “Sins of my youth” é a balada que destoa do jeitão roqueiro do disco, com sua bateria menos marcada e dedilhado simples com reverb. E há o belo solo de “Shadow people” e o teclado que surge feito uma alma penada. Tem ainda a crueza de “American dreams Plan B”, os breaks de “Red river” e o tom aveludado de “Full grown boy”.

TomPettyHeartbreakers

Não é necessário dizer que todos os solos e riffs de Petty e sua banda estão muito bem encaixados e cheios de bom gosto. Há tanto tempo na estrada, há tanto tempo gravando e se autoproduzindo, Petty é um músico que sabe o que precisa fazer com o seu rock. Pode não ser um lampejo de criatividade, mas Hypnotic Eye mostra que Petty não erra a mão.

Lucas Scaliza Autor

Jornalista e ariano, joga truco e tarô. Nunca teve amnésia alcoólica. Tem vários discos mas não tem vitrola. É host do Escuta Essa Podcast e ouve tanta música tão alto que é capaz de ficar surdo um dia.

Comentários

    AntimidiaBlog

    (25 de julho de 2014 - 13:58)

    Republicou isso em reblogador.

    […] Quem acompanha Plant é a Sensational Space Shifters, banda que Plant montou para gravar seu disco ao vivo de 2012. Aliás, absolutamente todas as 11 músicas do disco estão creditadas como composições de Plant e de vários membros da Sensacional Space Shifters, o que deve ter contribuído em larga escala para a musicalidade fluida até mesmo nas partes mais intrincadas e mais experimentais de lullaby and… The Ceaseless Roar. Mesmo assim, o nome que vai na capa do disco é apenas o de Plant. Esse é o peso de sua fama, de sua personalidade no business e de seu nome. Mas bem que poderia ser um disco de “Robert Plant & The Sensational Space Shifters”, como acontece com Nick Cave & The Bad Seeds e Tom Petty & The Heartbreakers. […]

    walter carvalho

    (19 de novembro de 2014 - 11:36)

    Rapaz, que discaço!! Tudo no seu lugar, conforme você disse, sem muitas firulas, mas é rock ‘n’ roll simples, básico e muito gostoso de ouvi. O meu cd (original) comprei importado pela “Paranoid Discos”, não sai mais do meu cd-player hehehe….Sem medo de errar, deverá figurar nas melhores listinhas de fim de ano,

    […] (Portanto, não vá esperando ambições artísticas como as recentemente demonstradas por Steven Wilson e seu Hand. Cannot. Erase. ou Steve Hackett com seu Wolflight, ok? Estão mais próximos de Tom Petty & The Heartbreakers.) […]

    […] deste disco deixa-nos entender que Kurt Vile está mais confiante e sabia onde queria chegar. Tom Petty, o líder dos Heartbreakers, uma das principais influências de Vile, age da mesma forma faz alguns […]

    Ryan Adams – Prisoner (2017) | Escuta Essa!

    (26 de dezembro de 2016 - 00:57)

    […] é, mais uma vez, um misto de Bob Dylan e de Neil Young (mas sem os longos solos de guitarra), de Tom Petty e do senso de música pop do século 21. E como todos esses artistas, de certa maneira seu álbum […]

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