The Klaxons – Love Frequency (2014)

Álbum novo do Klaxons é mais caretinha e eclético que o primeiro da banda, Myths of the Near Future

Por brunochair

Para analisar o novo álbum do The Klaxons, intitulado Love Frequency e lançado há pouco, é necessário voltar ao Myths of the Near Future, álbum de estreia da banda lançado em 2007. Naquela época, a banda despontava com uma sonoridade bastante singular, chegando até a intitular uma nova modalidade de música: o New Rave.

O New Rave mistura elementos do eletrocash, do indie pop e rock britânicos. O Klaxons procurava juntar todas essas referências musicais para criar a sua própria, o que alçou a banda a um patamar de importância dentro do cenário britânico. Junte-se a essas referências sonoras uma irreverência e uma psicodelia no que se refere às letras. Bom, esse é o Klaxons que surgiu em 2007. A música “Atlantis to Interzone” é um exemplo cabal de tudo o que foi dito sobre a banda. Escute a música, e logo após falaremos do novo álbum:

Enfim, o som é uma loucura. Uma miscelânea. Quer você goste ou não, deve concordar que os caras produziram um tipo de música bastante peculiar. O Klaxons lançou outro álbum em 2010, chamado Surfing the Void, em que tanto a crítica especializada quanto os ouvintes da banda aguardavam o que viria. Novamente agora, em 2014, com o Love Frequency.

Levando em consideração a repercussão do álbum de 2007, tudo o que o Klaxons fizesse dali em diante seria motivo de comparações. E esta resenha, por mais que procurasse escapar de uma comparação com o álbum antigo do Klaxons, não conseguirá deixar de fazê-la.

Love Frequency é um álbum muito mais caretinha que Myths of the Near Future, embora seja muito mais eclético que o primeiro álbum da banda. Eclético, porque abraça uma diversidade de ritmos e sonoridades não encontrados nos álbuns anteriores. Há músicas que podem ser consideradas New Rave, mas há também Synthpop, Electropunk, Electrodance. Ritmos estes que dialogam de forma permanente na música, construindo canções para chacoalhar o esqueleto.

No entanto, a caretice fica por conta do álbum não apresentar músicas tão caóticas e peculiares quanto uma “Atlantis to Interzone”, por exemplo. Em 2007, parece que a banda vinha na contramão de qualquer rótulo comercial. Hoje, com este álbum, parecem estar tranquilos quanto a serem veiculados nas grandes mídias, na mesma esteira dos seus conterrâneos Coldplay e Kasabian.

Portanto, o álbum em si é interessante de ouvir. Mas, em se tratando de uma banda que revolucionou e trouxe elementos tão variados para o cenário musical, esperava-se um pouco mais.

Sobre as músicas de Love Frequency, os bons destaques ficam para:

“New Reality”, música no melhor estilo New Rave da banda. Começa até desagradável aos ouvidos, com um barulho feito no sintetizador que poderia ser comparado a um órgão de mosteiro acelerado. Aí entra uma voz com efeito, que lembra as criações do Daft Punk. A música dá uma quebrada na música aos 1’08” e vai assim até o final.

“There is no Other Time” é muito década de 80. Parece com muitas músicas do Depeche Mode, por exemplo. Talvez seja ela que vá preencher as rádios daqui a algum tempo, pois ela é bastante radiofônica.

“Love Frequency” faz jus a ser nome do álbum. Uma música bacana, com piano no princípio e alguns efeitos sonoros no fundo, que vão alternando para um Electrodance e explodem lá pelos 2’25”, depois de ganhar contornos diferentes a partir do sintetizador. Das músicas do álbum, talvez seja a mais criativa.

“Show me a Miracle” é o primeiro single da banda. Música que representa bem esta fase careta-eclética da banda.

As que são medianas:

“Children of the Sun” tem até uma pegada meio rock. É claro, não é um classic rock, é algo parecido com o que o Kasabian sempre fez e faz.

“Invisible Forces” até melhora do meio ao fim, mas o começo é um tecladinho muito do manjado. Parece até a vinheta de abertura do programa do Amaury Jr.

As que são fracas:

“Liquid Light” é uma música instrumental sem nenhum tipo de nexo. Está jogada dentro do álbum.

“Atom to Atom” é música para compor o álbum, nada mais que isso.

Pra quem ficou curioso, eis o link para ouvir o álbum novo na íntegra, via youtube:

brunochair Autor

Funcionário público, ex-jogador de ping pong amador, curte literatura, música, fotografia, esportes, cervejas artesanais e bons filmes. Meio brasileiro e meio uruguaio, acha que a cidade perfeita é uma mistura de São Paulo, Rio de Janeiro e Montevidéu.

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