Sergio Mendes – Magic (2014)

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Disco começa mal, mas surpreende com interpretações de Maria Gadu, Ana Carolina, Milton Nascimento e John Legend

Por Lucas Scaliza

Com mais de 50 discos na bagagem, o fluminense Sérgio Mendes continua misturando bossa nova e jazz com vários outros estilos musicais. Em Magic não é diferente. Todas as faixas possuem participações especiais e mostram como é amplo o espectro sonoro desse pianista: vai do eletrofunk vagabundo de “One Nation” até uma composição tão bela e forte como “Meu Rio”, passando pelo samba, funk americano, hip hop, MPB e soul.

Apesar de começar Magic muito mal, o balanço é positivo. Quase todas as participações cumprem bem seu papel. A exceção, infelizmente, é o saxofonista Scott Mayo, que não desafia nem a si mesmo, nem a Mendes e nem à música alguma na música “Magic”. Já Maria Gadu e Ana Carolina surpreendem com interpretações seguras. Para facilitar a compreensão do disco, vamos a um faixa a faixa:

1. One Nation: faixa com a participação de Carlinhos Brown é um tanto descartável. Parece feita sob encomenda para alguma campanha publicitária que quer associar nome e produto de uma empresa à Copa do Mundo. A música é um eletrofunk carnavalesco, seguindo a fórmula de música de exportação que a mesma dupla usou para compor “Real in Rio”.

2. My My My My Love: mais uma música dispensável, dessa vez em parceria com Cody Wise, cantor norte-americano de hih hop. O segundo verso é assim: “I need your bundinha”. O piano de Mendes até tenta salvá-la, mas não dá.

3. Don’t Say Goodbye: aqui Mendes acerta e traz John Legend para cantar uma música com swing e balanço. Além de nos lembrar de Marvin Gaye, o solo de piano de Mendes é bem encaixado.

4. Sou Eu: com Seu Jorge é difícil errar. Um sambinha, com pausas, harmonia bem elaborada e uma interpretação sem excessos de Mendes ou de Seu Jorge.

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5. When I Fell in Love: após um início de disco problemático, Mendes vai mostrando a que veio. Nesta faixa, com vocais de sua esposa, a cantora brasileira Gracinha Leporace, a banda dá show de bom gosto e interpretação.

6. Meu Rio: a princípio, não esperava nada da participação de Maria Gadu nos vocais. Mas ela mostra segurança nos versos e te emociona no refrão. Uma música bem feita e que surpreende com seu interlúdio, que chamarei de baião-fusion.

7. Magic: para a faixa-título do álbum Sergio Mendes convidou o saxofonista Scott Mayo para ser protagonista. Acostumado a tocar em filmes e na TV, Mayo não avança o sinal e faz o easy-listening que lhe é característico. Kenny G feelings, everybody!

8. Samba de Roda: novamente com participação de Gracinha e também com Aila Menezes, a faixa é o que seu título diz. Música para cima e é isso aí.

9. Atlantica: Ana Carolina assume os vocais e mostra como se coloca a voz em uma harmonia bem elaborada, com acordes cheios de adições. MPB tradicional.

10. Olha a Rua: Milton Nascimento empresta sua voz inconfundível a uma das melhores faixas do disco. Animada, com arranjos de baixo e piano bem construídos. Cabe até um solo de guitarra jazz. Uma pena que a faixa não chegue aos 3 minutos.

11. Hidden Waters: Gracinha mais uma vez cantando em inglês. Faixa com harmonia jazzeada mas com pegada funk.

12. Simbora: mais uma parceria de Mendes com Carlinhos Brown com cara de propaganda da Globo, mas pelo menos essa consegue soar bem.

Lucas Scaliza Autor

Jornalista e ariano, joga truco e tarô. Nunca teve amnésia alcoólica. Tem vários discos mas não tem vitrola. É host do Escuta Essa Podcast e ouve tanta música tão alto que é capaz de ficar surdo um dia.

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