Pitty – Setevidas (2014)

Após cinco anos do último álbum de inéditas, Setevidas de Pitty destaca-se pela impecável e excelente produção 

Por brunochair

Pitty, enquanto banda, passou cinco anos sem lançar álbum de inéditas. Em boa parte desse tempo, ela esteve envolvida em outros projetos, como o realizado em dueto com o guitarrista Martin Mendonça, projeto este chamado Agridoce. Nome representativo para o tipo de música a que eles estiveram comprometidos, bem mais tranquilo do que o trabalho homônimo da cantora.

Após estes cinco anos, chega o Setevidas. Assim mesmo, tudo junto.

O álbum contém dez faixas, e surpreende pela excelente produção.

Entre os produtores do álbum está o britânico Tim Palmer, que já trabalhou com artistas do porte de U2, Pearl Jam e Robert Plant.

Nota-se que a intenção da Pitty era desenvolver uma sonoridade similar ao já produzido por ela no primeiro álbum, Admirável Chip Novo. Este álbum foi significativo para Pitty, pois foi ele quem rendeu o sucesso e reconhecimento que a Pitty possui no contexto do rock brasileiro.

Mas, e as músicas do álbum novo, são boas?

Aí depende do seu gosto.

Você conhece a Pitty? Já ouviu seus álbuns anteriores?

Se a resposta for sim, você vai gostar. E, por conta da excelente produção e de alguns lampejos criativos, dirá que a Pitty acertou em cheio. Porém, se você já não gostar dos trabalhos anteriores, então dificilmente gostará deste.

Tem guitarras hard rock, aquele vocal característico dela, e algumas letras bem interessantes. Outras, bem fracas.

Quanto ao single “Setevidas”, a letra diz, no início: “Só nos últimos cinco meses / Eu já morri umas quatro vezes/ Ainda me restam três vidas / Pra gastar”. Seria uma alusão à crença das sete vidas felinas?

Com certeza é. Na capa do álbum, há uma gatinha preta com a Pitty, que por acaso era sua felina de estimação. A música (em sentido figurado) trata de perdas, perdas estas que a Pitty teve que lidar durante estes cinco anos.

Exemplo disso são as próprias sete mortes da sua gatinha, além da morte de alguns colegas de profissão, como o guitarrista Peu (ex-guitarrista da banda da Pitty e da banda Nove Mil Anjos).

“Setevidas” é uma música comercial, com uma letra simples, que procura dialogar diretamente com o público que acompanha as mídias.

Confira o videoclipe da música:

Agora, alguns pitacos e análises sobre as dez faixas que compõem o álbum:

1 – “Pouco” – Achei que, nesta música, os efeitos em voz e nos instrumentos estão um pouco exagerados. A letra é muito sem graça. Há músicas bem melhores no álbum que poderiam servir de intro a ele.

2 – “Deixa ela entrar” – Seria uma alusão ao filme sueco? Boa música, muito mais orgânica que a primeira. A letra é bacaninha, e está em harmonia com a música.

3 – “Pequena morte” – Início da música não só lembra, mas sim é uma cópia de “Time is burning out” do Muse. Aquele estalar dos dedos juntamente com o baixo. Sobre a música, é o que há de relevante pra citar.

4 – “Um lero” – Há sufixo “or” ou “ô” no fim de todas as frases da música. Musica chata por conta disso. Forçada a parecer bacana.

5 – “Lado de lá” – Música muito boa, bem dosada, que tem lá pelos 2:32 um coral de vozes, lembra músicas de metal! Inovadora, piano bacana no início e no fim, solo de guitarra criativo. Melhor música do álbum.

6 – “Olho calmo” – música quadradinha, q começa calma e no refrão rola uma guitarra mais alta. Letra não prejudica.

7 – “Boca aberta” – Instrumental bacana, uma letra reflexiva sobre a contemporaneidade. A pergunta é: sobre quem ela está falando? O refrão da música é meio descolada do restante da música. Ganha um seis raspando.

8 – “A massa” – A letra até que é legal, mas a parte instrumental é dos mais fracos do álbum. Poderia ser melhor, dado o trabalho perfeccionista realizado na parte sonora/produção.

9 – “Setevidas” – Música comercial. Quadradinha por conta disso. Letra simples, direta ao ponto. Portanto, nada especial.

10 – “Serpente” – Junto com “lado de lá”, são as melhores músicas do álbum. São as que fogem do Padrão Pitty™ de qualidade. Um soft rock que fecha bem o álbum.

Enfim, um retorno interessante da Pitty ao rock. Está muito bem produzido, tem boas músicas. Porém, a cantora poderia não ficar tão presa ao esteriótipo “sou rock’n roll”.

Pelo contrário, poderia ampliar os horizontes, compôr de forma diversificada – tudo junto e misturado. Se gosta de folk, qual o empecilho em gravar faixas rock e folk em seu trabalho dito rock’n roll?

Contudo, neste cenário do rock brasileiro no qual poucas bandas se destacam, um álbum com a qualidade de Setevidas produz boas repercussões.

brunochair Autor

Funcionário público, ex-jogador de ping pong amador, curte literatura, música, fotografia, esportes, cervejas artesanais e bons filmes. Meio brasileiro e meio uruguaio, acha que a cidade perfeita é uma mistura de São Paulo, Rio de Janeiro e Montevidéu.

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