Lykke Li – I Never Learn (2014)

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Cantora sueca fecha sua trilogia da “mulher de 20 e poucos anos” com canções melancólicas e cheias de sofrimento

Por Lucas Scaliza

A cantora sueca Lykke Li lançou seu terceiro disco, I Never Learn, mais uma contribuição indie melancólica ao cenário pop. É o final de uma trilogia sobre, segundo a compositora, uma mulher na casa dos 20 e poucos anos em busca do amor e de si mesma. Por isso, o novo trabalho segue a linha de Youth Novels (2008) e Wounded Rhymes (2011).

Se I Never Learn soa como uma coleção de canções para corações partidos, é porque a própria Lykke Li, em seus 20 e poucos anos de idade, passou por um rompimento pouco antes de começar a gravar o disco em Los Angeles. Ainda segundo ela, gravar seguindo seus instintos a ajudou a lidar com os sentimentos.

O resultado é um bom disco para embalar sua fossa. Li compunha ao violão, instrumento que está bastante presente em I Never Learn, às vezes de forma bem simples e áspera, como na balada “Love me Like I’m Not Made of Stone”. Já na abertura do disco, com “I Never Learn”, o instrumento aparece preenchendo seus ouvidos, até que entra o vocal entristecido de Li e uma orquestração para acompanhá-la.

É um álbum de simplicidades e detalhes. Nada nele soa extravagante ou pomposo; e apesar da simplicidade e das músicas curtas (o disco tem apenas 33 minutos), não soa medíocre em momento algum.

lykkeli

“No Rest For The Wicked”, uma das principais canções do álbum, e “Just Like a Dream” são baladas arrastadas que mostra um pouco do vocal soprano de Li com refrãos fortes. Já “Gunshot” pode soar como a única música animada do disco, mas somente por causa do refrão. No restante da canção, Li canta como “espera por veneno como o câncer por uma presa”. Há ainda outra faixa no terço final do álbum chamada “Never Gonna Love Again”, onde a desilusão alcança seu nível mais idealizado.  Ou seja, sentimentos pesados dominam I Never Learn.

Com este novo trabalho, Lykke Li vai se impondo como uma compositora da tristeza para quem não consegue mais se identificar com as superproduções do pop mainstream, que também falam sobre desilusões amorosas. Embora I Never Learn tenha boas letras, talvez a cantora precise ela própria sair da casa dos 20 e poucos anos e resolver seus problemas para, quem sabe, falar de rompimentos e sofreguidão amorosa de um ponto de vista novo e mais elucidativo. I Never Learn entrega letras de lamentação que são tudo o que pessoas de coração partido precisam quando estão na fossa, mas cai muito facilmente em lugares comuns.

Lucas Scaliza Autor

Jornalista e ariano, joga truco e tarô. Nunca teve amnésia alcoólica. Tem vários discos mas não tem vitrola. É host do Escuta Essa Podcast e ouve tanta música tão alto que é capaz de ficar surdo um dia.

Comentários

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    […] não é uma busca estética arrojada como St. Vincent (2014), da St. Vincent. Nem como o triste I Never Learn (2014) da Lykke Li. Nem mesmo climático e dramático como o recém-lançado Ultraviolence, de Lana […]

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