Anathema – Distant Satellites (2014)

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Novo disco da banda de Liverpool usa mesmos elementos e estratégias de álbum anterior, mas entregam mais um disco emocionante

Por Lucas Scaliza

Anathema, uma banda de Liverpool, lançou um dos discos mais interessantes de 2012: Weather Systems. Era uma combinação de rock com orquestrações, piano e guitarras distorcidas, vocais inspirados e uma constante criação de climas para as canções. O disco foi um sucesso e fez a banda, por meio do “boca a boca”, de compartilhamentos em redes sociais e das boas resenhas que ganhou da crítica especializada, alcançar um público novo. Em 2013, lançaram um dos melhore álbuns/Blu-rays ao vivo do ano, Universal. O show teve direção de Lasse Hoile, o fotógrafo e videomaker conhecido por seus trabalhos com Steven Wilson e Porcupine Tree.

E agora, no esteio desse repentino (e merecido) reconhecimento da banda, lançam o esperado novo álbum, Distant Satellites. Da arte da capa e do encarte – baseado numa instalação do artista sul-coreano Sang Jun Too –, da primeira à última canção, é um disco muito bem feito, bem produzido e bonito. Transpira bom gosto em cada dedilhado, solo de guitarra e orquestração, sem falar nas linhas vocais ricas em notas longas. Assim como já acontecia com Weather Systems e We’re Here Because We’re Here (2010), em nada este Distant Satellites evoca o death/doom metal do início da carreira.

Se há algo que deve ser ressaltado em Distant Satellites é a estrutura musical de quase todas as faixas, que vão ganhando corpo e instrumentação aos poucos, até atingirem um clímax vocal, orquestral ou solo de guitarra de tirar o fôlego. Impossível não sentir a emoção aflorando junto com os músicos. Este recurso é chamado de “crescendo” e ao vivo torna-se uma arma poderosíssima para mexer com os nervos da plateia. As 3 partes de “The Lost Song” usam crescendos impossíveis de se ignorar. A faixa “Anathema” é outra: ela te conduz a passos lentos, guiados por piano e voz principalmente, até desembocar em uma estridente guitarra.

anathemaband

Contudo, é o mesmo recurso já usado tão bem em Weather Systems. Aliás, todos os elementos musicais presentes neste novo álbum já existiam no anterior. A diferença é que em 2012, dado ao tema temporal do álbum (as músicas faziam referências a relâmpagos, tempestades, nuvens, luz do sol…), as orquestrações e efeitos sonoros evocam esses temas climáticos. Dessa vez há também uma construção climática, mas que evoca as trevas do espaço e, quem sabe, a solidão do firmamento, dando espaço para que dedilhados e notas de piano soem nesse ambiente de “vácuo” em que nada existe. Mas de alguma forma o som se propaga, desafiando as leis da física. E claro que a faixa-título do álbum é o melhor exemplo disso.

Weather Systems também possuía uma abertura sensacional, com a dobradinha “Untouchable, Part 1” e “Untouchable, Part 2”. Para repetir o feito, Distant Satellites abre com “The Lost Song, Part 1” e “The Lost Song, Part 2”, que também são emocionantes e belas.

Embora seja um disco belo e bem produzido, é claramente uma tentativa de repetir a receita e o sucesso do álbum anterior. A faixa que mais foge à fórmula é “You’re Not Alone”. Mas vale a pena ouvir várias vezes com fones de ouvido e se deixar perder na paisagem sonora que o Anathema criou.

Lucas Scaliza Autor

Jornalista e ariano, joga truco e tarô. Nunca teve amnésia alcoólica. Tem vários discos mas não tem vitrola. É host do Escuta Essa Podcast e ouve tanta música tão alto que é capaz de ficar surdo um dia.

Comentários

    […] 8. Distant Satellites – Anathema […]

    […] som bastante original, mas difícil de aproximar com exatidão de alguma outra banda. Tem algo de Anathema no trabalho, principalmente quanto a alguns crescendo, harmonias bem feitas e clima etéreo. Tem […]

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    (30 de setembro de 2014 - 21:40)

    […] orquestração épica era o segredo, a letargia em Ultraviolence de Lana Del Rey e os crescendos de Distant Satellites do Anathema chegam mais facilmente ao peito de quem […]

    […] processo bastante parecido com  o efeito que o Anathema e o The Antlers dão às suas músicas em Distant Satellites e em Familiars, seus novos […]

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